quarta-feira, 10 de março de 2010

Memories of Live'n'Louder II - Rock You Like a Hurricane

O intervalo do show entre Destruction e Rage também serviu para mais umas rodadas de cervejas. Não pude dizer não, mas foi rápido. Foi nisso que eu e minha mãe nos separamos e só nos encontramos no fim do show do Scorpions. A tal garota gótica que me secou no show do Destruction voltou a tona, mas novamente eu voltei minhas atenções pro que iria aparecer: Rage.

A entrada triunfal do Mike Terrana do Rage foi animadora, teve um solo de bateria bem furioso precedendo “Don’t Fear the Winter”. Eu confesso, não esperava tanto da performance deles, eu os conhecia de estúdio, mas o trio me impressionou de maneira extrema naquele fim de tarde. Victor Smolski é um verdadeiro virtuose, o cara mandou até pedaços de Eruption. Mas Higher than the Sky foi apoteótica, o crepúsculo que envolvia aquele Canindé tava forte e o coro de todos na pista também.

Já estava vencido pelo Rage, se acabasse ali, estaria ok do mesmo jeito.

Mas pra que acabar? Ainda eram 7 da noite e a pista enchia mais e mais. Foi quando a tal garota gótica voltou a cena, eu ainda pensei “porra, é perseguição né?”, mas não resisti, enfim cheguei e os 20 minutos restantes até o show do Shaman se resumiram nela.

Com a entrada do show do Shaman, dispersei, fui mais pra frente e vi a trupe do então vocalista André Matos – fala sério, aquele line-up era ótimo – matar a pau. Claro, pra mim os melhores momentos foram Innocence (muito emocionante mesmo ao vivo), More (ficou forte) e Lisbon, dos tempos do André no Angra, que fechou o setlist deles. Ainda restavam os dois gigantes da noite, os dois bem distintos.

No intervalo começaram a anunciar o show do Epica com o Kamelot, com o clipe de “The Haunting (Somewhere in Time)” que tem participação da Simone Simons. A primeira vez que tocaram nós recebemos com empolgação.

Porém, repetição foi o nome do festival. Entre anúncio de lançamento do Tribuzy e clipes mais obscuros da Hellion records, tome clipe do Kamelot, as vezes duas, três vezes seguidas.

E tome vaias enfim.

Foi uma longa meia hora, parecia que não iria passar nunca, mas o Canindé estava completamente escuro quando uma explosão sonora tomou conta com Dark Chest of Wonders, música que abriu o show do Nightwish. Eu já adorava muito a banda desde a época do Century Child, mas o Once foi um dos álbuns mais apaixonantes de 2000 até 2005, extremamente bem feito.

O show foi um espetáculo de altos e altos, mas claro, teve “um” momento infame no público, quando o infeliz resolve levantar a namorada durante The Phantom of the Opera. E tome copadas nas costas da infeliz.

Fiquei claramente hipnotizado na penúltima música, a melhor da carreira deles: Ghost Love Score. Foi fenomenal, com a Tarja (que iria ser chutada dias depois) toda de branco e demonstrando um carisma impressionante. Se fosse um festival qualquer, ali a noite também já tava ganha, mas o melhor tava realmente por vir.

Mais um intervalo e mais Kamelot, e até eu, que sou fã deles, fiquei irritado com tanta repetição. Mas as 23:00, Scorpions entra em campo com New Generation e pronto, vi aquilo que pode se considerar uma completa aula de rock and roll. Clássico, vintage, mas energético e com mais vigor e tesão do que qualquer bandinha que temos hoje atualmente.

A escolha do Scorpions pra capitanear a noite foi perfeita, Klaus Meine parecia uma criança no palco e a voz dele tava forte como nunca. Rudolf Schwenker então pulava que nem louco no palco.

Mesmo com meu joelho em frangalhos e com a noite ainda bem quente, meus ânimos estavam em alta octanagem, assim como a rajada de clássicos disparados. Bad Boys Running Wild, Holiday, We’ll Burn the Sky, The Zoo, as conhecidíssimas Wind of Change, Still Loving You e a arrasa quarteirões da Big City Nights.

Eu confesse, quando tocou Rock You Like a Hurricane eu queria desmaiar, de desidratado mesmo, achei que o show tava acabando ali, com o clássico mor deles, mas pra minha surpresa (e creio que geral), mandaram mais uma música, meio que pra fechar cortinas: When the Smoke is Going Down. Bem mais suave que a anterior, serviu pra acalmar os ânimos do já vencido Canindé.

Esse dia foi inesquecível. Maravilhoso em vários aspectos. Claro, eu sai dali pensando o que iria rolar no ano de 2006 nesse aspecto. Teve outro Live’n’Louder recheado de bandas que gosto e eu perdi, culminando em um dos maiores arrependimentos que tenho (perder Gotthard, After Forever, Doro Pesch, Stratovarius, Primal Fear, Sepultura, Andre Matos e Dave Lee Roth numa só noite foi muita burrice).

E ficou pra sempre no meu coração.

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