Ainda no distante ano de 2005, estávamos dando adeus a vida de colégio e por mais que fossemos uma sala altamente esquecível, uma atitude foi realmente diferente das demais classes: confeccionamos camisetas com caricaturas dos professores e o nome dos alunos nas costas. Os créditos vão pra uma menina que realmente desenhava bem, mas foi uma relíquia generalizada.
Usei durante o último semestre que estive por lá, variando com as demais. Assim que as aulas acabaram, fiz questão de me livrar dos uniformes normais em questão de minutos, mas por alguma razão, resolvi guardar aquela camiseta. Não tinha significado especial pra mim, mas guardei.
O tempo passou, veio a faculdade e definitivamente rolou uma revolução no meu guarda roupa, mas ela continuou por lá. Na última limpeza de armário, em abril e já com mais de 1 ano de formado da faculdade, ainda fui questionado:
- Mas você vai guardar essa camiseta?
- Não sei porque, mas vou continuar guardando.
Não tinha exatamente um porque. Eu não usava pra nada, afinal, não é pra sair e me esqueço até mesmo de usar como pijama.
Enquanto ela estava guardada, resolvi finalmente voltar pro colégio onde estudei depois de longos anos sem aparecer por lá. A última vez tinha sido numa festa junina mesmo. Mas dessa vez foi legal, definitivamente foi legal rever velhas faces e trocar idéias com pessoas que você não via a tempos.
Entre essas pessoas, estava um antigo professor, que ainda dá aula lá. O cara é uma figura, era unanimidade mesmo numa sala onde todo mundo queria ver a caveira alheia. Depois de atualizar a conversa com ele, conversei com uma menina que estava no colegial e enquanto cada um falava como era / está sendo a vida no colégio, ela me surpreende:
- Ele é bem legal mesmo. Tão legal que vem com uma camiseta que uns alunos fizeram pra ele, com cara dos professores.
Pensei “cáspita, é a nossa camisa”. Foi uma sensação muito legal que eu tive naquele instante.
- Foi a nossa camiseta. Fizemos como uma espécie de “lembrança” da nossa sala.
E não tinha razões pra eu achar que nossa sala era legal, até porque não era mesmo. Até mesmo em relação a despedidas, vi uma bem apoteótica de um pessoal que se formou dois anos depois da gente, emocionando eles de um jeito que eu jamais tinha visto.
Mas ainda assim, por alguma razão, voltei lá atrás e vi que apesar de tudo, era mesmo uma atitude legal e única. Foi um presente isolado, mas ao mesmo tempo inesquecível, que está no meu armário e pelo visto, ainda está presente com outras pessoas.
E que outras gerações façam coisas inesquecíveis, mesmo que seja apenas uma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário