Eu gosto de acreditar que cada pessoa na terra tenha alguma razão pela qual ela ainda esteja respirando. Sabemos que na realidade isso não funciona bem assim, muitas pessoas desconhecem de fato o propósito de suas existências, simplesmente sobrevivendo. No meu caso, existem diversas coisas pela qual eu levanto de manhã, mas dificilmente paro pra pensar nas forças motrizes que se sobressaltam quando queremos cumprir um objetivo e, indo mais além, alcançando um sonho.
Mesmo com as coisas caminhando na direção correta, na correria do dia a dia deixei de lado esse questionamento, fiquei sem pensar muito nos combustíveis extras além dos meus sonhos e objetivos de curto à médio prazo. E nesses dias eu vi vários fatores que me moveram ao longo dos tempos, entre eles estão: amor, fé, serenidade, raiva e racionalidade.
Definitivamente eu tenho amor pela minha profissão e sobretudo pela carreira que escolhi. Se depois de todos os percalços durante a trajetória, eu ainda estou na área e sedento por aprendizado, é porque existe algo além do “objetivo”, de fato, amo o dinamismo da minha profissão, ela evita com que a gente caia na rotina e nos coloca em desafios constantes, algo que persigo todos os dias da minha vida.
Além de todo o amor, existe a raiva. E eu não consigo viver sem a raiva, sinto que preciso dela pela força que ela nos passa.
Por que eu considero a raiva um fator importante? Porque esse sentimento me ajuda a fazer as coisas “com sangue nos olhos”. E não estou falando daquela raiva onde você explode e surta com todos, mas sim aquela contida, onde você faz as coisas com gana e se muito, explode onde tem que explodir – no meu caso, fazer academia tem sido vital na hora de liberar esse sentimento.
E essa raiva citada foi importante em muitos momentos, sobretudo na faculdade, onde mesmo sem muitos recursos técnicos e financeiros, conseguíamos nos sobressair em relação aos demais. Sentíamos vontade de vencer a todo custo e perdemos nosso sono até fazer um trabalho que se sobressaísse tanto em termos de conteúdo quanto técnicos. E conseguimos, tanto que hoje nosso trabalho é referência e ainda lembram da gente, algo que me surpreendeu bastante.
Por fim, o racionalismo e serenidade andam juntos e se tornam os fatores mais importantes pra mim, ao menos nos últimos anos, me fez com que eu não me perdesse emocionalmente em momentos chave e fez com que eu usasse essa raiva contida como um fator positivo. É obvio que não dá pra deixar a emoção de lado, tanto é que em determinados momentos desses últimos anos, tudo escapava de uma vez.
E muitas vezes eram coisas simples que faziam meu emocional ficar a flor da pele, e em momentos onde as coisas corriam normalmente, como por exemplo, no fim do ano passado quando vi uma simples pintura no muro de um colégio infantil, com várias crianças desenhadas sorrindo. Isso tudo em um momento onde eu tava agindo com frieza máxima e executando minhas tarefas com um certo sobressalto. Ali chorei muito, me fez ver que coisas bestas, banais, mas que de alguma maneira envolvam o fato delas serem humanas, ainda mexem comigo, entre outras coisas do cotidiano, que normalmente não expomos, mas que fazem parte desse balanceamento que nos mantém respirando.
No fim, creio que as pessoas não sabem a força que elas próprias tem, eu ainda estou descobrindo as minhas e pras próximas etapas, isso vai ser fundamental.
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