terça-feira, 16 de setembro de 2014

O concreto molhado e a solidão

Era um dia raro para os padrões atuais da cidade de São Paulo, afinal, estava chovendo. A chuva não caía de um jeito voraz, necessário para reabastecer os reservatórios paulistanos que andam com níveis aquáticos parcos, mas trouxe um pequeno alento em tempos tão secos, período em que temos dificuldades até para respirar normalmente.

Um pouco antes do clima mudar resolvi sair, dar uma volta para colocar as ideias em ordem. Após semanas erradas, estava começando a me perder novamente, sem reação, sem a vitalidade que perdurou por meses e deixando me engolir por ambientes e ideias destrutivas. Percebi que estava me afastando das coisas boas que iniciei e que podem ser úteis para o futuro. E de quebra, na noite anterior, ainda tinha recebido uma notícia que me deixou atordoado e que me fez repensar o sentido de muita coisa que me rodeia.

Com tudo isso em mente, segui andando. A cada passo que eu dava, mais eu percebia a calçada molhada, com os reflexos das luzes voltando para os meus olhos. E andei em círculos até achar um lugar para sentar, no concreto molhado do meio fio, enquanto a chuva caía de maneira moderada e molhava tudo ao meu redor. A chuva era minha companheira naquele momento, ela fez com que eu me sentisse alentado em um momento de confusão e solidão.

Sentado e tomando chuva, pensei justamente no medo que tinha do passado da solidão. Do quanto eu forcei a barra tentando evitar a todo custo esse sentimento e no quanto falhava miseravelmente nessas tentativas e me sentia pior. Pensei no quanto me senti mais confortável nesse ponto quando simplesmente parei de tentar fazer com que tivesse outra pessoa por perto para que eu me sentisse bem comigo mesmo.

E enfim, completamente encharcado, notei que, mesmo estando completamente perdido, ainda há razões para que eu possa me sentir bem comigo mesmo e para que eu levante a cabeça e volte aos trilhos.


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