No último mês decidi fazer uma vistoria geral em meu guarda-roupa e após checar peça por peça, percebi que esse era um ponto da minha vida que tinha largado mão por completo, afinal, desde 2013 não comprava uma camiseta - e pelos motivos explicados no link a seguir, ainda conseguiu ser uma história por linhas tortas. O saldo final da arrumação foi ver que 75% das minhas roupas não serviam em mim ou estavam completamente desbotadas, visto que a última grande leva de roupas que comprei foi no período entre 2008 e 2010, quando tinha entre 20 e 22 anos e 15 quilos a menos. Todas essas roupas foram separadas para doação.
Com poucas peças disponíveis, a hora tão temida chegou após anos: compras.
Nos últimos dois anos tive fortes motivos para não comprar roupas - coisas que, nesse momento, não expandirei por aqui -, mas periodicamente, uma nova leva de roupas deve ser comprada. Dessa vez, o meu fator motivador foi um pouco mais dividido: em partes por conta moda (surpreendentemente é um fator, afinal, eu venho analisando esse ponto com mais esmero do que em anos anteriores e também estou pesquisando combinações que considero estilosas para o meu visual), mas principalmente por necessidade, afinal, com poucas peças restantes e com muitos dias de exercícios físicos, não sobram opções.
Voltando às compras, nesses dias fiz a famigerada "pesquisa de campo", que consiste em entrar em diversas lojas de shoppings, pesquisar preços, perguntar sobre peças variadas e, eventualmente, virar persona-non-grata do vendedor por não comprar nada e assim frear a possível comissão em cima de uma venda (e que todos me desculpem, mas não sou comprador compulsivo e penso três vezes antes de gastar com qualquer coisa). Não é uma atividade que considero prazerosa, mas eu sou o que pesquisa preços e faz todas as contas possíveis para não estourar o limite que eu mesmo imponho. Alguns chamam de "pão-durismo", eu chamo de responsabilidade.
Outra coisa que me incomoda muito na parte de comprar (ou mesmo olhar) roupas, é a insistência do vendedor em querer empurrar algo. Por mais resiliente que podemos ser, é impossível não perder a paciência após insistirem em oferecer itens que não queremos mesmo após rejeitarmos várias vezes. Isso sem contar que em algumas lojas de shoppings nem passo perto de vitrines pois sei que virá um vendedor azucrinar em um momento que gosto de pensar com calma.
A hora dos cálculos também é complicada, pois com isso vem aquele dilema do que deixar de fora. Algo que por ser muito minimalista no passado, achei que jamais aconteceria. Me enganei, mas não me envergonho.
É uma situação que, em certo ponto, se torna novidade em minha vida. No passado, por mais que eu comprasse roupas, algumas eram na base do impulso e elas geralmente representavam um certo desleixo inerente ao momento que vivia. Dessa vez eu sinto que estou mais atencioso comigo mesmo e acredito que, de alguma forma, algumas roupas que vestimos refletem quem somos em um determinado momento da vida, logo, é a hora de deixar para trás o Marcus conturbado da primeira metade dos 20 anos e abraçar as novidades, ainda que algumas sejam consideradas superficiais, como um novo jeito de se vestir.
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