Legacies must be earned by the choices we make.
I now know that we write our own endings and we can either choose to hide as villains or live as heroes."
Grayson, Daniel
Revenge, 4 x 10
Por mais que as frases acima tenham saído da boca de um personagem que tinha um comportamento dúbio ao longo da série Revenge, estas foram as últimas palavras dele e isso me atingiu com a intensidade que deveria. Desde o mid-season finale da última temporada, que vi no fim de 2014, que penso no peso de um legado, como minha impressão na terra pode impactar pessoas, não apenas no presente, mas no futuro, em outro momento da humanidade na qual não estarei presente para ver como seria o uso das minhas marcas deixadas.
Mas como definimos o que fica como legado? Entendo que legado deve ser, acima de tudo, uma coisa que misture toques pessoais com uma pitada de altruísmo, que ajude alguma pessoa em algum momento, com os melhores instrumentos que temos em mãos. Posso enumerar mais de cem pessoas que deixaram impressões na Terra que me ajudaram direta e indiretamente, mas para fins de exemplo, pensei em três personagens bem distintos: Leonardo Da Vinci, que mostrou para mim (e o mundo) a importância de ter um repertório vasto e ser observador do ambiente que me cerca para desenvolvermos nossa arte, seja ela qual for. O segundo é o Metallica, banda de heavy metal, que me atingiu com sua arte de um jeito musical e pessoal, fazendo com que seu som pesado e raivoso fosse peça chave em todas as fases de minha vida até então. O último e mais recente exemplo é da psicóloga Angela Lee Duckworth, que apresentou estudos científicos exemplificando que a garra é um fator chave em nosso sucesso pessoal e profissional, colocando nossa perseverança e capacidade de aprender acima do talento inato propriamente dito. Três estilos de legados distintos que afetaram diretamente a minha vida.
Uma vez que sabemos do poder da palavra "legado", pensamos em outra força motriz igualmente poderosa para que possamos deixar nossas impressões na terra: propósito. O que queremos na vida? O que desejamos atingir? Como atingiremos? Como nossas escolhas serão decisivas para isso? Um dos meus propósitos na Terra é justamente esse: deixar legados com inputs criativos da minha parte, que ajude outras pessoas a se desenvolverem e crescerem do seu modo. Em algum momento quero atingir o psicológico das pessoas, fazer com que elas pensem, saiam de seus status quo e plantem sementes, assim como muitos fizeram comigo.
Com um propósito definido, basta nos conhecermos intimamente para sabermos quais são as nossas melhores ferramentas para atingirmos os propósitos que temos em mente. Também precisamos saber quais são nossas vulnerabilidades, saber o que nos trava, trabalhar em cima disto e ter a coragem de escrever nossos próprios finais.
Fazendo uma imersão ao meu âmago, penso que o melhor legado criativo que poderia deixar hoje é a escrita. É uma arte que aprecio muito, pois nos dá possibilidades infinitas para criar mundos, universos e, ao mesmo tempo, dá para ser preservada por milênios, deixando marcas profundas. Desde pequeno sou apaixonado por mundos criados através das palavras (Harry Potter, que hoje completa 20 anos do lançamento do primeiro livro, é um grande exemplo disto) e imagino que as minhas palavras possam impactar pessoas do mesmo modo que a autora J.K. Rowling fez comigo aos 13 anos.
A escrita não é o único produto criativo que imagino deixar como legado. Também sou apaixonado por música, design, estética, arquitetura, psicologia, neurociência, tendências e tecnologia. São coisas que venho me aprofundando sempre mais para criar combinações que vão além do normal e que expandem as possibilidades de produtos criativos que impactem pessoas a longo prazo, inclusive na escrita.
Pensar em legados é uma coisa que permite um conhecimento interior muito maior e, uma vez que nos entendemos, nos sentimos mais livres e fluídos para tentar, desenvolver, acertar, errar e continuar tentando, até atingir o próximo, inspirando e deixando nossas marcas na Terra. Todos nós temos algo para deixar como legado. E você?
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