O Deserto do Atacama foi uma das surpresas mais positivas da minha vida. Sim, entra na categoria “surpresas”, porque apesar de especular muito sobre o que fazer nas minhas férias de janeiro, foi apenas na segunda metade de dezembro que defini minha ida para o deserto, pouco após fechar as passagens para Santiago e Buenos Aires.
Foi um cenário novo na minha vida. Ainda não conhecia a América do Sul, mas os muitos relatos de quem viajou para Chile e Argentina eram muito bons e isso foi um incentivo para finalmente fazer essa viagem. Novamente, iria fazer essa viagem sozinho.
Em Santiago e Buenos Aires, já esperava uma pegada urbana parecida com São Paulo - previsões que se concretizaram -, mas no Deserto do Atacama, não fazia ideia do que estaria por vir. Tinha visto algumas fotos realmente empolgantes e recomendações básicas, como colocar casaco na mala mesmo sendo verão, por conta de algumas excursões de madrugada na altitude. Além disso, levei coisas que não estava acostumado, como lenços umedecidos, soro fisiológico e cremes hidratantes. Esperava uma jornada hardcore se comparada com outras viagens. E foi.
San Pedro do Atacama é uma cidade pequena, sem muitos atrativos e com pouquíssimas coisas para se fazer, mas era o ponto focal das agências que faziam excursões para os lugares mais remotos do deserto, que era o que realmente interessava. O ar, como esperado, era muito seco e minhas narinas ficaram arrebentadas, não importando quantas vezes passasse Sorine. A altitude local dificultava um pouco a respiração, mas até que me acostumei com uma rapidez surpreendente. Algumas excursões também envolviam longas viagens de ônibus e estradas difíceis. Mas esses percalços deram um tempero a mais para a viagem ficar ainda mais memorável.
Cada quilometro percorrido me deixava de queixo caído. Além de me sentir pequeno em um ambiente tão vasto, não imaginava que o deserto pudesse ter tanta variedade de cores.
Me inspirei com os tons avermelhados e esverdeados no Valle Del Arco-Iris, em meio a tantas montanhas e algumas flores bem incomuns. Em outros lugares, via mais cores, como o amarelo do Salar de Tara, com quase 5 mil metros de altitude, o azul das Lagunas Altiplânticas, o branco das salinas da Laguna Cejar e o conjunto da obra no Valle de la Luna, cuja vista foi uma das mais estonteantes que tive em toda minha vida.
Algumas das imagens que registrei durante a viagem:
A natureza é inspiradora. A combinação de cores que ela proporciona me faz querer conhecer mais e mais lugares nesse planeta. E é por isso que me surpreendi tanto com o Atacama, afinal, por ser deserto, não esperava tantas cores. Mas valeu a pena todos os percalços de um paulistano cosmopolita desacostumado com altitudes.
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