quinta-feira, 7 de março de 2019

Voltando para a Europa

A última viagem que fiz foi uma das mais inesperadas da minha vida. Como aconteceu uma mudança muito grande em meu trabalho, fiquei sem saber o que fazer com os vinte dias restantes de férias que tinha e que por lei era obrigado a tirar. Não fiz nenhum planejamento prévio pois realmente não sabia o que estava acontecendo em meu dia a dia, mas o fato é que precisava sair. Não queria passar vinte dias ocioso em São Paulo já que considero esses períodos como importantes para conhecermos outros lugares. Com pouco tempo entre a definição das férias e a saída efetiva, comecei a procurar passagens em promoção para qualquer lugar que visse pela frente e achei um combinado em promoção de dois lugares que ainda não tinha visitado e que muitas pessoas sempre falam muito bem: Paris e Lisboa.

No passado, tive experiências em fazer uma jornada inteira de viagem sozinho e também compartilhada com outras pessoas. Há tempos venho fazendo a primeira opção, desbravando as coisas sozinho e aprendendo coisas novas no período, mas sentia uma certa falta de dividir esses momentos com pessoas que gosto. Essa minha epopeia entre França e Portugal foi um misto de ambos: a primeira parte foi sozinho, lembrando muito viagens para a América do Sul e o mochilão na região bávara em 2016, e a segunda parte foi reencontrando uma velha amiga que hoje mora em Portugal, que me ajudou muito em vários aspectos, como hospedagem, conhecimento da cultura local e viagens internas. Além da camaradagem e amizade de sempre, o que fez com que a viagem ganhasse um sabor especial.

Parte I - Paris
Demorei muito para ir para Paris. Tive algumas incursões pela Europa, mas ainda não tinha descido em uma das capitais mais famosas do mundo. E a cidade não entrava em meus planos de viagem futuros - sempre colocava outras opções na frente.

Colocações acima postas, devo dizer que fiquei muito surpreso com Paris. Maravilhado mesmo. Mesmo no auge do inverno, com temperaturas baixas e com as árvores praticamente sem folhas, não esperava que a cidade trouxesse tantas cores novas, seja andando pelas ruas, nos monumentos, nos restaurantes ou mesmo em uma creperia de esquina perto do Panteão. E não vi a grosseria local que quase todo mundo que conheço falou que existia - talvez a expectativa controlada tenha ajudado nisso, vai saber.

Antes de sair do Brasil, confesso que tive o mesmo frio na barriga das primeiras vezes, mesclando excitação com um certo medo do desconhecido. A sensação mudou totalmente ao andar pelas ruas de Paris, dando espaço para uma sensação familiar de se impressionar com o novo e abraçá-lo de modo bem acolhedor.

Durante Paris reafirmei o quão gostava de explorar o novo e que o mundo que eu vi ainda era bem pequeno perto do que eu poderia conhecer. E esse mundo é bonito, enorme. De fato, deixei Paris querendo voltar, desta vez para explorar bem mais da França.

Parte II - Lisboa
Foi uma alegria imensa descer no aeroporto e encontrar minha amiga que trabalhou comigo em um período chave da minha vida (2015-2016). Desde que ela voltou para Portugal que não nos víamos e apenas conversávamos pelo telefone. Por isso, o abraço e os diálogos iniciais foram alguns dos melhores momentos da viagem e um testamento para um ano que guardo com extremo carinho (2015). Ela me ajudou bastante na hora de desbravar novas cidades pelo interior, pegando a estrada e tornando a jornada ainda mais inesquecível.

Diferente da França, a conexão de Brasil e Portugal é quase umbilical. Dividimos a mesma língua, alguns dos mesmos costumes e - para bem ou mal - a influência deles é muito visível em nosso cotidiano. Inclusive, soube por outro amigo que encontrei que a história que eles contam sobre o Brasil é um tanto diferente da que conhecemos. Ou do que a França conhece.

Mas Portugal também me venceu em alguns aspectos. A culinária local é maravilhosa, a arquitetura é única, soou familiar enquanto estive por lá e os preços são mais convidativos do que na França.

Voltei para São Paulo bem feliz com a viagem como um todo. Justamente por não estar nos planos que ela ganhou um sabor mais especial na minha memória. Por mais que a vida aconteça e não tenhamos controle algum sobre os fatos, a importância dessa jornada jamais deverá ser diminuída.

Próxima?
Sei lá. Só espero que não demore.

Fico com algumas imagens:











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