quarta-feira, 8 de abril de 2009

São Paulo Rock City

Ontem, no dia 07/04/09, aconteceu algo que esperava a muito tempo mesmo e eu prometi pra algumas pessoas que iria escrever um relato completo desse dia no qual eu posso dizer que "fantástico", "apoteótico" e "genial" são adjetivos simples perto da grandeza e monstruosidade que foi o show do Kiss na turnê Alive/35 em São Paulo, na Arena Anhembi.

Esse dia merece todo o detalhamento possível. Sim, eu deixei de lado toda uma realidade que vem se tornando cada dia mais complicada para vivenciar isso, afinal, se tem um lugar onde eu pertencia, era ali, naquela pista da Arena Anhembi, naquele momento e com aquelas pessoas que também estavam presentes nesse dia.

A banda possui importância única na minha vida. Comecei a ouvi-los quando tinha 8 anos de idade ao ouvir Rock and Roll All Nite no Unplugged MTV e desde então essa devoção cresceu de maneira muito forte, me aprofundando fortemente na discografia imensa da banda e inclusive fazendo uma apresentação no colégio caracterizado de Paul Stanley com meus 16 anos.

O show começou na semana passada, quando eu consegui convencer a professora a adiantar uma prova que aconteceria ontem - no mesmo momento do show - para fazer na quinta da semana passada e assim ficar livre para o show.

No dia, a ansiedade era enorme e trabalhei pilhado, pensando exclusivamente no show. Sai o mais rápido possível do trabalho, que está localizado no Centro, e cheguei rapidamente na Arena Anhembi.

Chegando lá tomei um susto: a fila chegava na Marg. Tietê, mas ao contrário do show do Iron em Interlagos, onde a desorganização imperou em diversos aspectos, dessa vez as coisas pareciam estar fluindo perfeitamente e em menos de meia hora eu já estava lá dentro da Arena, sozinho mesmo, mas com liberdade suficiente pra ir o mais pra frente possível. Depois que me alojei em um bom lugar, a arena lotou pra valer, com mais de 35.000 insanos fanáticos por essa banda.

O fato de ir sozinho não me impediu de conversar com as pessoas que estavam ao meu redor. Eu estava me sentindo em casa, todos ali presentes também estavam e assim o clima de harmonia fluiu naturalmente. Sem contar as diversas pessoas (e acreditem quando digo que não eram poucas) que estavam devidamente maquiadas, antes mesmo do show começar, a noite já estava sendo divertida, mas o melhor estava por vir.

Por volta das 20:15 entra no palco o Dr.Sin, já conhecidos - ao menos pra mim, que os vi no Live'n'Louder de 2005 - e que conta com o excepcional guitarrista Edu Ardanuy. Os caras mostraram uma presença de palco digna e não decepcionaram. No fim eles se diziam honrados em abrir para o Kiss (e tinha que tar honrado mesmo).
Depois ainda tivemos um breve intervalo entre uma banda e outra. Foi somente na passagem de som durante a música "Won't Get Fooled Again", do The Who, que a cortina subiu e em seguida o Anhembi tremeu e foi entoado firme aquilo que eu esperava desde os meus 8 anos de idade:

"ALRIGHT SÃO PAULO, YOU WANTED THE BEST, YOU'VE GOT THE BEST, THE HOTTEST BAND IN THE WORLD, KISS".

Desnecessário dizer o que eu estava sentindo naquele instante, poucas vezes me vi tomado por tanta ansiedade e êxtase. O Anhembi foi abaixo com Deuce e meus olhos simplesmente não acreditavam no que viam. Tudo aquilo era mágico demais para ser verdade, estava acontecendo. A explosão inicial seguida com Strutter deixou bem claro para que eles vieram e eu já estava ganho ali, com apenas duas músicas. Dois clássicos do primeiro álbum, lançado em 1974.

Em seguida Paul Stanley agradeceu a presença do pessoal e passou a interagir com a platéia. Aliás, essa interação com o público foi digna de um verdadeiro frontman, que sabe como levar uma platéia com um simples gesto. Não foram poucas as vezes que ele puxou o pessoal, pedindo pra gritar, cantar junto e fazer uma verdadeira festa do rock and roll como se deve fazer.

Got to Choose seguiu com o show e em Hotter than Hell presenciamos Gene Simmons cuspindo fogo em um ato de pirofagia comum nos concertos da banda. A qualidade se manteve em alta com Nothin' to Lose, onde Eric Singer fez muito bem sua parte nos vocais, não devendo nada ao vocalista original da canção (Peter Criss). C'Mon and Love Me, Parasite e She mantiveram o altissimo nivel do show, que era baseado no álbum Alive I, o primeiro disco ao vivo do Kiss e que catapultou os mesmos pro estrelato. Na sequência teve o solo do Tommy Thayer, que foi espetacular e com direito a foguetes disparados da guitarra - também mantendo a mágica presente do Spaceman Ace Frehley. Eram muitos fogos, algo que não costumo ver nem em períodos festivos.

Watchin' You precedeu aquela que foi (mais um) espetáculo a parte: a música 100.000 years. A música em questão contou com o solo de bateria do Eric Singer, este interagindo demais e com um carisma gigantesco sobretudo quando a bateria ficou suspensa no ar e também com o Paul Stanley, este um verdadeiro showman, que fisgou de vez todos com riffs de guitarra e a continuação da música depois do solo de bateria.

- Do you feel alright?

Sim Paul, estava presenciando o melhor show da minha vida. A minha ficha ainda não tinha caído de que estava diante dos gigantes do rock mundial.

Prosseguindo com o show, mais clássicos foram atirados para a gente como Cold Gin e Let Me Go Rock and Roll, com muita presença do Gene Simmons. Eu não poderia estar melhor naquele momento.

Mas foi quando a intro de Black Diamond começou que a empolgação aumentou mais (isso porque já tava altíssima), Paul interagiu ainda mais com a platéia e no meio do dedilhado de introdução da música, soltou uma palha de Stairway to Heaven e voltou pra intro aonde fez duas vezes o público cantar.

Pra fechar o grandioso primeiro ato, nada menos do que Rock and Roll All Nite. A primeira música do Kiss que conheci. Naquele momento o Anhembi foi coberto com uma grande chuva de papel picado onde certamente engoli vários, pois eu não conseguia fechar minha boca de emoção.

Era a verdadeira mostra da festa de rock and roll, aquele sentimento de liberdade, e eu gritando "putaqueopariu, isto aqui tá demais, tá do caralho" junto com "I WANNA ROCK AND ROLL ALL NIGHT, AND PARTY EVERYDAY", um verdadeiro hino pra qualquer um que curte rock and roll e que sem dúvidas, cravou no coração de todos os presentes naquele momento o poder que o rock and roll possui.

O show acabou? Nem pensar, depois de saírem do palco, voltaram para aquele que foi o melhor bis de toda a história, recheado com clássicos absolutos que não estiveram presente no primeiro Alive.

Na volta, hastearam a bandeira do Brasil - até ai, como toda banda que faça média - e exaltaram demais o público brasileiro, Paul disse que se sentia em casa e mandaram mais um hino: Shout it Out Loud, com mais fogos e mais festa ainda. O encore seguiu com Lick it Up, uma que em estúdio soa farofa, mas que ao vivo fica maravilhosa e com uma sequência de labaredas estridentes durante os riffs. Melhor impossível.

Engano meu: ainda era possível melhorar. Vou falar o que do Gene cuspindo sangue durante o macabro solo de baixo e voando no palco pra tocar I Love it Loud suspenso no ar? Não tem o que dizer, aquilo ultrapassou todas as expectativas.

Teve ainda I Was Made for Loving You, clássico do Dynasty e aquilo pra mim o melhor momento do show: Paul Stanley voando sobre a platéia, passou simplesmente do meu lado, pertissimo mesmo e tocou na parte de som que fica no meio da pista, como estava no meio disso, deu pra ver claramente ali a música Love Gun, aonde teve mais fogos ainda, podia até fechar ali, mas faltava uma coisa pra São Paulo Rock City ir abaixo de vez, faltava mais e essa coisa veio em forma de Detroit Rock City, simplesmente incendiando e sendo cantada em uníssono por todos e com muitos fogos de artificio no final do show, era a comemoração, a celebração do rock and roll sendo encerrada de maneira apoteótica.

Grandes shows deixam sempre grandes marcas, as minhas vão ficar marcadas no meu coração pra sempre, todo aquele sentimento de festa e de liberdade que teve e até mesmo a condição física no pós show, na qual parecia que levei nocaute de um tiranossauro rex, tamanha era a dor na perna.

Diferente do show do Iron, nesse não rolou problemas na saída  apenas o congestionamento convencional, mas como estamos em São Paulo, o nosso prefeito e a nossa secretaria de transporte estão pouco se fodendo pra gente e ao contrário do Rio, que terá esquema especial de metrô no dia do show, aqui novamente quem precisava de transporte público ficou na mão. Completamente desorientado na Olavo Fontoura, novamente restou apelar para o taxi, só que dessa vez sem muito desespero, se fosse no fim de semana, obviamente teria parado em algum posto de gasolina e ficaria acordado, mas em plena terça feira, o batente me aguardaria no dia seguinte - tal como uma prova de noite, o que mostra que esse ano não está sendo fácil.

Organização nota 10 (transportes a parte), pontualidade, excelente show de abertura e todo o conjunto da obra que fez com que a noite se tornasse eterna.

Sem dúvidas, esse foi o ponto mais alto de 2009 até o momento, disparado. Eu queria o melhor e eu tive o melhor, ponto final. Obrigado por tudo Kiss!

Ps: Pena não ter levado minha câmera mas sozinho e sem transporte, não queria prejuízo. Paciência, fico com as fotos granuladas do celular.

2 comentários:

  1. eee beleza, hein?
    nossa, vai ter esquema no rio? eita porra hahaha

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  2. o anhembi me traz tantas lembranças boas de show

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