sexta-feira, 22 de maio de 2009

Meu lanchinho, meu lanchinho, vou comer, vou comer, pra ficar fortinho, pra ficar fortinho e crescer, e crescer...

Creio que todas as pessoas que conheço já tiveram uma coisa comum chamada larica na madrugada. Pra quem não teve, ou detesta comer fora de hora (no caso, muito fora de hora), a sensação é sempre a mesma: você anda pela casa silenciosa, abre a geladeira e fica refletindo e quando acha o alimento a ser devorado, você sente um prazer aliviante (não confundam as coisas, okey?) e come até dizer chega.

Dentro dessa vida glutônea depois da meia noite, há todo um lifestyle interessante que começa com o ritual de andar pela casa de maneira sorrateira, com aquele receio de acordar alguém, tomar todo um cuidado para não trombar em nenhum objeto, fechar a porta da cozinha e escolher aleatóriamente o que for devorar. Porém, se você for que nem eu sou e tem uma combinação azarada de pessoas que odeiam ser acordadas de noite e tem uma sutileza de hipopótamo, você está ferrado e tem que tratar a ida pra cozinha como se fosse uma cruzada imperial. Caso dê errado, prepare os ouvidos pra escutar merda. 

Particularmente, me lembro de invasões históricas a cozinha de casa nos momentos mais impróprios possíveis, o mais memorável deles foi a muito tempo atrás, mais ou menos no segundo ano de faculdade, quando voltei tarde de uma balada e incrivelmente sóbrio, estava faminto, mas por coisas do naipe de café da manhã, tal como pão, frios e leite. Até ai normal, mas quem no mundo coloca a xicara no microondas com o conteúdo vazio? Melhor nem responder.

Em uma outra aventura - essa mais recente - depois de obter exito em não trombar em nada no escuro pra chegar na cozinha, eis que derrubo a xicara no chão e tome barulho e cacos pra limpar, nem preciso dizer que ouvi um blá-blá-blá violento. 

Falando em noitadas, na grande parte dessas noitadas, é comum também parar pra comer fora na volta, que vão de lugares que variam desde hamburgões e black dog's da vida até mesmo postos de gasolina furrecas espalhados pela cidade. Isso não é mais tão comum hoje, pra ser sincero, virou exceção, mas eu não achava ruim o fato de parar pra devorar porcarias por ai durante a madrugada.

Pra quem chega tarde em casa como eu chego, fatalmente essa refeição fora de hora é um bálsamo pro estomago, que é completo depois de um dia inteiro morto de fome. Mas enquanto eu for esse ogro nada sutil enquanto ando pela casa, a encheção vai durar bastante.

Bom apetite.

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