É um fenômeno estranho: vejo pessoas reclamando que não chove, porém, quando isso acontece, são as primeiras a reclamarem a respeito do assunto.
Ainda me lembro que anos atrás as represas de São Paulo estavam com o nível muito abaixo do ideal. A situação estava tão ruim que não duvido nem um pouco que a prefeitura tenha contratado um pajé pra fazer uma dança da chuva mágica que funcionasse. Era um movimento quase diário de pessoas que pediam para chover.
O grande problema de chuvas em São Paulo é que a cidade não está nem um pouco preparada pra isso, basta cair umas gotas que o caos está instaurado em todos os pontos da capital. Os meios de transporte público simplesmente param quando isso acontece, sem falar nas enchentes e acidentes que são ocasionados pela chuva. Claro, isso não é culpa da chuva em si, mas da infraestrutura capenga que claramente não está preparada para receber quantidades massivas de água sem que aconteça uma hecatombe.
Posto o parágrafo acima, devo dizer que gosto muito de chuvas. De todos os jeitos.
Aquele som de água caindo é perfeito, dá uma sensação ótima de paz interior, é algo que de alguma maneira me transmite mais frieza e serenidade. O ano de 2009, foi um ano no qual estive debaixo de muitas dessas chuvas, onde além de me molhar, ficava longos períodos pensando, planejando, analisando melhores caminhos e até mesmo chorando de cansaço físico e mental, principalmente nos meses de outubro e novembro. Isso sem contar o som da água caindo e batendo na janela enquanto tento pegar no sono ou mesmo quando desperto durante a noite.
A verdade é que eu não sou de papel e raramente deixo de fazer as coisas se a chuva está caindo. Por mais que São Paulo se transforme em um inferno com chuva - sobretudo nos transportes públicos -, ela me revitaliza .
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