segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coisas que passam por uma geração inteira

Eu tinha 13 anos quando comecei a ler a série Harry Potter. Na verdade, até demorou pra que rolasse o interesse sobre o assunto, afinal, eu já tinha ouvido falar (bem) a respeito e muitos dos meus amigos próximos já liam o livro. E eu pensava intrigado o que diabos eles tavam fazendo lendo, afinal, eles mal liam os livros que a então profª de português passavam pra gente.

Então me rendi, por pura curiosidade, adquiri o livro, comecei a ler e não quis parar mais. Até o início de 2002, eu já tinha lido os 4 primeiros livros, visto o primeiro filme e finalizado o jogo pro PsOne.

Mas eu confesso que esperava que isso fosse uma mania temporária, de moleque mesmo. Tal é a minha surpresa até hoje de falar sobre isso.

Na verdade, a série mostra realmente como funciona uma transição de uma pessoa. Quando comecei a ler, tinha 13 anos e os 2 primeiros livros tinham um aspecto mais childhood. O terceiro em compensação já mostra os primeiros sinais de raiva e o quarto revela o fim da inocência.

Desde então, filmes foram saindo e os livros restantes também. O meu preferido (tanto livro quanto filme) ainda é o Half Blood Prince, o sexto, que mostra uma mistura como alguém pode se preocupar com amor mesmo durante tempos bem sombrios e que é crucial pra que haja o gran finale do sétimo. Não pra menos achei o filme mais fiel nessa proposta. Talvez o último filme (dividido em duas partes) consiga superar o sexto em todos os aspectos, mas só vendo mesmo.

Aliás, foi no sexto livro que ficaram acentuadas as características mais marcantes de personagens que gosto e que foram pivotais na história: Severus Snape e Draco Malfoy.

Draco, que até então parecia ser um moleque arrogante, mostrou humanismo enquanto estava forçado a cumprir uma tarefa quase impossível pra não ver a sua família (e ele próprio) morrer, em partes por desespero, outras pela raiva, mas quando teve a faca e o queijo na mão, foi quando mostrou coração. No sétimo livro, isso foi comprovado.

Snape foi um caso a parte. Ele é o anti-herói, com atitudes estranhas, mas que no final, fez tudo por causa de um grande amor, de infância, desafiando até mesmo aquele que já detinha o poder.

O livro e filme saíram em épocas separadas (Half Blood Prince, 2005 e 2009), exatamente em dois períodos de transição, mas no qual mantive o mesmo interesse. Por isso me sinto a vontade de fazer comparações com a minha própria vida. Claro que a autora não ficou pensando nisso, mas 10 anos é um tempo significativo e claro, não marcou apenas a mim, mas uma geração inteira que acompanhou fielmente o desenrolar de toda a história.

O final dela por escrito soube em 2007, quando finalmente a autora desvendou de vez todos os mistérios que estavam em aberto desde o sexto livro. Mais do que isso, ela usou elementos de cada livro pra conectar tudo, ou seja, a pessoa teria que ler desde o início pra saber do que se tratava. Uma jogada astuta.

Hoje tenho 22, espero pra sair o último filme e confesso que fiquei muito empolgado quando vi o trailer. Vou sentir muita falta do clima que antecede o lançamento dos filmes da série e isso finalmente vai fechar a série de uma geração, que durou 10 anos, mas vai ficar pela vida inteira.

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