segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Forgetting your skills

Época de faculdade é muito boa pra desenvolver seu lado acadêmico, conhecer técnicas que te ajudem profissionalmente na carreira que você escolhe e, claro, praticar esportes sedentários que você fica craque justamente nesse período universitário.

Ruim é que suas habilidades de craque ficam restritas apenas a esse período.

Nos dois primeiros anos de faculdade a gente alternava muito entre a correria dos trabalhos e matérias e a vida bandida de sinuca, cerveja e truco e Pro Evolution Soccer. O problema (que na verdade não chega a ser problema) é que nos dois últimos anos retomamos o foco pra valer e simplesmente largamos mão dessa jogatina infernal.

Tudo bem, não éramos os descendentes diretos de Rui Chapéu, mas sabíamos mesclar precisão e força – as vezes exagerada a ponto de jogar a bola pra fora da mesa e acertar outras coisas.

Eis que anteontem eu volto a uma partidinha da nossa sinuquinha safada. Pena que foi um desastre completo a minha tentativa de jogar em “alto nível”. Me senti um jogador de futebol em fim de carreira que tenta enganar em sua volta a gramados brasileiros.

Porém, também senti 5 diferenças fortes que no final influenciam:

Ambiente: costumávamos jogar em um botecão de estacionamento onde era quase tudo caído e a cerveja era barata. Sim, éramos o vórtice da vida decadente. Onde fui jogar no sábado era um ambiente recheado de pessoas, sofás, com música eletrônica bombando e pessoas tropeçando no seu taco a cada meio minuto.

Modo de jogo: nunca fui fã do estilo mata-mata, sempre preferi o bom par ou ímpar, com direito a bola final do castigo (geralmente a nº 1). Nesse estilo par ou ímpar, dá pra dar tacadas mais estratégicas onde se mede mais jeito do que força. Mata-mata não, você dá tacadas como se fosse tiro no escuro, a única opção é bater com força – de vez em quando com jeito - e torcer pra que a porra da bola entre na caçapa.

Cerveja: parece que não, mas o preço conta. Uma garrafa de Itaipava era R$2,50 enquanto no lugar novo a latinha de Skol era cincão. Faz diferença.

Pessoas: no estacionamento tinha geralmente uma meia dúzia de retardados, as vezes nem isso, numa quinta feira era capaz de ter só eu e mais um fella matando a hora do intervalo. Na baladinha tínhamos o local tão lotado que a fila pra ir embora demorou mais de meia hora. Um show de (des)organização. Em todo caso, o que conta aqui são os amigos e em ambos, as pessoas eram show de bola.

Música: no estacionamento tínhamos a vantagem de escolher qualquer coisa que estivesse gravado em CD. Já onde estávamos sábado não, eram apenas duas opções. Eletrônica eu encaro, mas funk? Meh!

Podemos dizer que isso tudo faz diferença, mas apenas encobre o fato de que joguei realmente muito mal, matando minhas próprias bolas (se preferir, fazendo gol contra) e me deixou realmente desanimado em relação a outros jogos inúteis que eu gostava de jogar.

Sério, eu com certeza vou comer bola na próxima partida de truco.

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