segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Train of consequences

Eu tenho um poder de atrair loucos que sai do lugar comum. Geralmente esses loucos estão espalhados pelos quatro cantos da cidade, mas se locomovem pelo mesmo meio de transporte: o metrô.

Nesta milagrosa data (28/02), parou um metrô vazio na estação que embarco. Foi bizarro isso acontecer, afinal, eu estava esperando algo muito lotado depois do dilúvio que caiu em São Paulo no dia anterior. E foi embarcando em um vagão vazio que me lembrei de outra situação bizarra, que ocorreu no pré-blog, ainda em outubro de 2008.

Na época, estava no terceiro ano de faculdade e alternava entre o trabalho – já em período integral – e as aulas, que andavam cada vez mais cansativas. Logo, qualquer coisa pequena era um motivo de exclamar coisas como “puta merda”.

Tudo transcorria em silêncio. Infelizmente eu não tinha como ouvir minhas músicas, afinal, meu mp4 estava sem bateria, mas meu sono estava tão forte que era só encostar a cabeça no vidro e esperar pela estação onde desço.

Foi quando chegou uma determinada estação onde as pessoas entraram de um jeito como se abrissem um portão pro gado sair de maneira frenética. Isso ocorre todos os dias, mesmo assim exclamei algo como “nossa senhora”.

Pra que eu fui fazer isso? Um cara que estava sentado do meu lado resolveu liberar seus demônios. E justo pra quem?

- Não sei porque esse povo tá reclamando, não aguenta ser apertado, vai de carro. – Falando alto e como se a culpa fosse minha.

- Mas isso que tão fazendo é falta de educação e de senso de espaço.

- Ah, mas esse povo que tem carro e vem pra cá, deveriam usar carro e parar de reclamar...

Não respondi, pensei algo como “então tá” e virei. Mas foi só o começo.

- ...porque eu tenho meu carro, eu deixo na estação e venho, não reclamo disso. – E aumentava o tom de voz.

- ...

- Eu dei duro, tive dificuldades, mas sempre consegui me virar.

- ...

- Já esse pessoal, que está todo de social, finge que está bem e reclama do metrô.

Minha mente já elaborava um “caralho, me deixa em paz”, mas meu sono estava tão forte, que resolvi tentar ignorar. Fechei meus olhos, mas o caboclo falou ainda mais alto.

- Mas as crianças hoje deveriam ter antropologia na escola, porque elas precisam aprender sobre isso.

A partir daí, minha mente desfocou de vez, foi como se eu estivesse ouvindo um zunido incômodo que perturbava. A pilha do homem parecia não ter fim.

Então não teve jeito, tive que falar.

- Cara, tem como parar? Eu não o conheço e não estou disposto a ouvir o que você tem a dizer.

Ele não respondeu, se levantou e saiu dali. Fiquei meio assustado, pensando de onde tinha surgido um psicopata desses. Mas fiquei feliz por ele ter saído.

Definitivamente atraio loucos.

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