Quando você está na academia não tem jeito: ou você usa a força ou os resultados que você deseja não irão aparecer. Porém, ontem surgiu uma situação com um dos aparelhos onde a sabedoria foi mais importante do que os punhos.
Estava lá eu, treinando* normalmente. Depois de um exercício com a barra, eu estava prestes a partir pro próximo. Muitos costumam simplesmente largar a barra nos aparelhos, eu tenho o hábito de levar de volta.
Mas a barra estava presa de um jeito diferente. Travou total, não havia movimento ali, parecia ferro fundido.
Era hora de colocar meus exercícios em prática e comecei a forçar a barra (da maneira mais literal que você possa imaginar), mas ela continuava imóvel e não tive outra solução senão avisar o instrutor.
- Manolo, a barra dessa birosca travou.
- Rapaz, essa é a primeira vez que isso acontece.
Isso não fez com que me sentisse especial.
- Vamos tentar tirar.
Então ele também tentou usar a força pra tirar. Mas ele usou a força apenas de um lado, o outro lado estava bem propenso a dar uma virada brusca.
- OUCH!
E tome uma patada acidental no meio da jaca. Além de ter doido, foi motivo pra atrair a atenção das poucas pessoas que estavam ali no momento – claro, elas riram antes de ajudar. E então veio o outro instrutor:
- Mano, como conseguiram isso? Não sai nem a pau.
- Mas se entrou, tem que sair.
Estávamos fazendo errado. Ficamos ali uns 10 minutos vendo como iria tirar a barra dali, mas não conseguimos nada.
Foi quando a lampadinha das idéias piscou em nossas mentes e nossa visão ficou mais clara. Ainda tinha mais um gancho pra desatarrachar e colocar a barra no chão pra poder pensar em algo.
Removemos, colocamos a barra no chão e assim usamos movimentos contrários para ver se o fecho da barra iria se mover. E nisso deu certo, finalmente conseguimos tirar e recolocar o um dos ganchos de volta ao aparelho.
O saldo dessa brincadeira toda foi: 20 minutos perdidos, falta de raciocínio lógico (incluindo o meu), uma barrada na cabeça, pessoas rindo, olhando e tentando resolver um problema que jamais tinha acontecido por lá. Se há pessoas que atraem loucos, eu atraio loucos e acidentes bizarros.
* Na verdade, “treinar” é uma expressão meio estranha já que não estou competindo pra nada, mas no dia a dia acabei me acostumando com a expressão, de tanto usar.
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