quinta-feira, 31 de maio de 2012

Crazy Taxi

Com a confirmação do jogo da semifinal da Copa do Brasil para Barueri, passei a aventar possibilidades de transporte e seus possíveis planos de emergência, pois sabemos, São Paulo não nos ajuda quando queremos voltar pra casa de noite. Nessa de fazer planos alfabéticos (B, C e daí por diante), me lembrei do Taxi, meio que odeio e que só uso em caso de extrema emergência.

Quando digo “último caso”, é realmente porque não tem mais absolutamente nenhum transporte público a disposição. Coincidência ou não, a maioria das vezes que tive que usar taxi foi em grandes shows de São Paulo, onde acabam tarde e claro, você fica sem opções.

O caso mais emblemático foi no show do Judas Priest em setembro do ano passado. O show acabou por volta da 00:30 (Living After Midnight, não é Mr. Halford?) e do Anhembi pra estação Portuguesa-Tietê necessita uma pequena caminhada, afinal, a Arena Anhembi fica mais perto da Pte. da Casa Verde do que da Cruzeiro do Sul. Foi muita crueldade comigo e com a amiga que foi comigo ao chegarmos à estação a 1:01 – fecha a 1:00 -, ver o metrô passando pela plataforma suspensa e saber que aquele era o último. Simplesmente fecharam a porta da estação na nossa cara no momento que chegamos.

Minutos depois de se lamentar por tamanho azar, lembramos que ali na região também tinha um Terminal Rodoviário, e por consequência, com vários pontos de Taxi. Daquele lugar pra onde moro não foi uma viagem muito cara, mas doeu na alma pagar cifras a mais por um trajeto onde poderia pagar bem menos.

Passada a parte onde dói o bolso, tem a possibilidade de o taxista puxar assunto. Para meu azar (novamente), foi justamente no trajeto mais longo que fiz com Taxi que fui “agraciado” pelas opiniões aleatórias do elemento.

É disso que estamos falando.

Em agosto do ano passado, estava voltando de taxi depois de um evento a trabalho que aconteceu na região oposta à minha residência. Sou um cara que quando acontece esse tipo de situação, prefiro o silêncio, mas por alguma razão, o rapaz não percebeu isso e desandou a falar.

- Ae truta, tá ligado nesse som louco aqui? – Era um reggae estranho, como não sou o maior fã do gênero, tentei ser educado.

- Hum, legal cara. – Sem emoção alguma.

- Vou te falar mano, nos roles que faço, as mina ficam loucas com isso ai.

- Legal cara. – Tava se tornando uma resposta padrão.

Mais alguns minutos e ele começou a falar ainda mais sobre as baladas dele, o que me assustou muito mais, pois subitamente ele chegou aonde eu temia: baile funks. Meu medo maior felizmente não se confirmou, que seria ele colocar a cacofonia citada nos altos falantes.

- Mas e ai mano, você curte um funk?

- Hum, não é meu tipo de som.

- Truta, esse fim de semana fui pro funk com os “bróder”, bebi todas, mas a mulherada tava animal. – Nessa altura, ainda tava na metade do caminho e fiquei pensando algo como “acelera po**a”.

Nisso, veio o toque salvador do celular, nem vi quem era e hoje também nem lembro, mas serviu pra interromper o discurso do rapaz e cessar o assunto. Juro que enquanto estava em linha, tentei prolongar o máximo a conversa, falando o mais devagar possível.

Depois que o fio da meada foi cortado, o restante do trajeto foi silencioso. Talvez ele tinha percebido que meu desinteresse era latente ou talvez, até pelo horário, ele pensou que eu tava com sono, mas fiz questão de descer quarteirões antes para abreviar a jornada.

Moral da história: detesto taxis, mas são necessários em situações específicas e emergenciais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário