sábado, 19 de janeiro de 2013

A essência que deve ficar

No último sábado, resolvi sair com os amigos para um lugar que eu costumava ir e ter excelentes momentos no biênio 2010/2011. O lugar tinha um ambiente rústico sem soar mofado, era aconchegante o suficiente para conversar com os amigos e tomar cerveja com tranquilidade, as pessoas que frequentavam o local eram calmas, não era lotado a ponto de tropeçar no próximo e tocavam boas músicas. Isso até o final de 2011, quando o bar mudou de espaço.

A mudança, a primeira vista, não aparentava ser drástica, afinal, foram apenas para o outro lado da rua. Achava que no máximo iriam expandir o ambiente, mas sem perder aquele ar rústico característico que me fazia sentir em casa. Foi só pisar no novo local que tomei um enorme susto: era algo completamente diferente do que eu conhecia.

De pub, o local se transformou em um reles “bom bar de rock”. E se nas primeiras vezes que fui ao “novo pub” consegui relevar as mudanças, nas últimas vezes ficou bem latente que o local havia virado o fio para pior. Subitamente, o público era outro, mais “moderno”, o local era tão lotado como uma balada e até o som, mesmo tocando rock, não conseguiu cativar tanto assim a atenção. Ainda é um bom lugar para ir e ter bons momentos, mas aquele refúgio pessoal que foi importante na minha vida – sobretudo no final de 2010, um momento particularmente sombrio -, não existe mais. Restou apenas o nome, a essência foi embora.

Uma das coisas que mais me entristecem nessa vida é quando vejo que a essência de alguma coisa ou pessoa que gosto não existe mais.

Não sou avesso as mudanças, acredito que elas devem acontecer sim para que roda continue girando, inclusive, fico extremamente feliz quando vejo que em meio a diversas mudanças que acontecem, as pessoas que gosto e que em algum momento da vida lutou com você para alguma coisa conseguem evoluir.

Mais gratificante do que isso é perceber que enquanto adultos, a comunicação permanece inalterada no sentido da cumplicidade. A essência já citada.

Um exemplo bem clássico disso que estou falando aconteceu em janeiro, quando encontrei uma amiga que comecei a falar em 2007. Na ocasião, ela estava no 1º ano do ensino médio e eu no 2º ano da faculdade. A conexão foi instantânea e subitamente ela se tornou uma das pessoas mais importantes para que eu pudesse manter a minha sanidade mental nos anos subsequentes, sobretudo 2009, o ano de conclusão da minha faculdade.

No ano seguinte, o tempo passou a ser inimigo de ambos. Ela entrou em uma faculdade de engenharia e eu redobrei meus esforços no trabalho. Naquela altura, o Orkut já tinha perdido 80% da assiduidade e mesmo o MSN já estava sendo deixado de lado. As vezes nas quais nos encontrávamos já rareava e enfim chegamos ao ponto onde o contato parecia perdido, como no início do ano passado. O fato dela não possuir Facebook também ajudou muito nessa perda de contato.

Porém, ainda existem telefones e embora deteste ficar muito tempo na linha, era meu único meio de contato. Foi assim que consegui chama-la para sair nas raras lacunas de tempo que ambos encontravam.

Em janeiro, encontrei-a depois de meses e de muitas mudanças nesse meio tempo, mas a conversa se manteve no mesmo estilo: com a mesma simplicidade de como falávamos em 2007. O que me deixa feliz em meio a tudo isso, é que de lá pra cá, uma vida passou, o amadurecimento aconteceu e mesmo em meio a um novo mundo, não havia algo que incomodasse. A essência permaneceu a mesma.

Isso acontece também com amigos antigos que vejo com uma frequência ligeiramente maior do que ela. Pessoas que você percebe mudanças nítidas, mas que permanecem sendo aquelas que gravaram seus nomes a pedra na minha vida. O inverso também aconteceu e foi um golpe duro. Pessoas que também cresceram comigo e que foram importantes para mim em algum momento, se tornaram completamente irreconhecíveis em sua essência.

No final das contas, apenas a essência que sobra. Ela que mantém a ligação que fez com um dia me encantasse com alguma coisa ou pessoa.

Um comentário:

  1. É uma pena que algumas pessoas conseguem mudar tanto, mas para manter o equilíbrio na terra, existem aquelas que não perdem a essência, e essas é que devemos valorizar. ;)

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