Uma tarde de domingo, por volta das 14h30, ligo a rádio, sintonizo na 89,1 e escuto um som extremamente familiar: Metallica – The Unforgiven. A primeira música que ouvi deles e que foi um dos fatores importantes para que eu me tornasse um ouvinte assíduo de rock e heavy metal. E estava tocando exatamente no mesmo lugar no qual ouvi esse som pela primeira vez, o que tornou a audição ainda mais importante, mesmo depois de 17 anos.
Durante anos ouvimos a tão batida história de que o dia 21/12/12 seria o dia no qual o mundo terminaria. Ao invés do tão ”aguardado” apocalipse, o que tivemos nesse dia foi outra bomba: a volta triunfal da 89,1 como “a rádio rock”, depois de diversos rumores ao longo dos últimos meses. E foi uma senhora volta, diga-se de passagem.
Quando a 89 saiu do ar pela primeira vez, ela deixou uma legião de rockeiros completamente órfãos, mas não dava pra dizer que foi uma surpresa, afinal, a qualidade do “rock” na primeira metade da década passada realmente estava terrível. E infelizmente eram as porcarias musicais da época que dominavam grande parte da programação entre 2003 e 2005, piorando de maneira terrível em 2005. Em 2006 veio a estocada fatal: a rádio estava tocando pop no estilo Rihanna, Beyonce e não tinha mais a alcunha de “rádio rock”. Fim de uma era e do jeito mais melancólico possível.
Se ficamos órfãos, isso se deve a alta qualidade de som e da programação que perdurou até 2003. A Kiss FM continuava presente e pronta para suprir esse buraco deixado pela 89, mas além de possuir um foco mais voltado para classic rock (que sim, é bom e importante), ficava limitada apenas a esse nicho, diminuindo e muito a minha audição em rádios FM. Ao mesmo tempo, os mp3 players estavam mais baratos e com capacidade de armazenamento infinitamente maior do que os antigos discmans sonhavam. Assim, durante anos eu criei a minha própria playlist e definia o que queria ouvir na hora que quisesse, coisa que faço até os dias atuais.
Porém, sempre digo que a 89FM enquanto rádio rock foi muito importante para a minha construção musical. Desde pequeno tocavam músicas que me identificava e assim formei uma base musical conhecendo diversas bandas de maneira aleatória, seja gravando a música na fita e ouvindo repetidamente até comprar o CD, ou mesmo depois com o advento da internet, ferramenta poderosa onde pude aprofundar o gosto por diversas bandas que foram importantes no meu crescimento.
A volta da 89FM com o UOL foi uma tacada de mestre. Sabendo que as pessoas passam mais tempo em seus PC’s, usou a visibilidade do portal para servir de casa para a rádio, sem fazer com que as pessoas que estejam em casa saiam a procura de um rádio para sintonizar a rádio. Ao mesmo tempo, foi inteligente porque se por acaso toca alguma música que não gosto, simplesmente abaixo o volume do player temporariamente e ouço outra coisa.
Olhando para frente, espero de coração que essa volta seja definitiva e que a emissora dê prioridade ao rock, incluindo as boas bandas novas (como Halestorm, que inclusive já está na programação). A preferência ao rock que todos aprenderam a gostar estava em falta na emissora antes dela sair do ar (Avril Lavigne não é rock) e isso precisa ser mantido em caráter definitivo. Essa rádio foi importante para minha construção musical, espero que seja exatamente a mesma coisa para as crianças que estão crescendo em meio a pop e músicas cada vez mais sem identidade.
Fiquei muito feliz com a volta da 89FM, pelo valor nostálgico e pelas perspectivas de criar uma nova legião de crianças fãs de rock como foi nos anos 90 e como eles próprios dizem, nunca deveriam ter saído do ar - como disse, bastava não deixar as coisas degringolar naquele período negro entre 2002/05.
Vida longa ao rock and roll.
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