sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2012 foi um bom ano para música sim senhor.

Nessa altura do campeonato já não creio que sairá algum álbum que me fará cair o queixo, então acredito que seja hora ideal de fazer um breve resumo do que achei da música em 2012. Não é novidade isso aparecer aqui no blog. Em 2010, ano não tão recheado de coisas boas assim, fiz uma lista de bons álbuns que saíram (para mim, lógico). No ano passado os artistas foram bem mais generosos na qualidade de seus álbuns, especialmente no thrash metal, mas eu estava desanimado com a internet, com blog e atolado em tarefas, então deixei a lista de lado.

Mesmo não sendo um ano tão forte quanto 2011 e principalmente 2008, 2012 me proporcionou excelentes momentos musicais. A quantidade de álbuns que me cativaram foi grande e saíram em momentos bem distintos do ano – não gastaram tudo em uma só tacada. Outro ponto extremamente positivo desse ano foi a volta da rádio 89FM, estação na qual cresci ouvindo e foi um dos pilares para que eu gostasse muito de rock.

Pela primeira vez em anos fiquei sem ir a um show que eu considerasse inesquecível – Paralamas foi o único show que vi -, especialmente porque os shows que eu gostaria de ir aconteceram no segundo semestre, momento em que gastar dinheiro estava fora de cogitação, então, perdi shows que gostaria de ter visto, como Epica, Trivium, Anthrax, Black Label Society e principalmente o Kiss novamente. Mesmo hoje, ainda considero o show de 2009 um dos melhores que vi até o momento.


15º - Slash feat. Myles Kennedy – Apocalyptic Love
Se em 2010 o Slash reuniu amigos estelares para seu primeiro álbum solo, desta vez o cabeludo da cartola contou apenas com seu amigo de turnê, o vocalista Myles Kennedy, que no disco anterior fez muito bonito na faixa Starlight.

Para mim, o Slash finalmente achou o seu vocalista e o Myles finalmente achou a sua banda, mesmo tendo realizado bons trabalhos no Alter Bridge. O álbum é direto ao ponto e sem frescuras, puro rock mesmo, com destaque para a faixa título, No More Heroes, Hard and Fast e Far and Away.

14º - Shinedown - Amaryllis
Foi em 2008 que ouvi o Shinedown pela primeira vez. Na ocasião eles tinham acabado de lançar o álbum “Sound of Madness”, gravação que fui escutar com bem mais atenção apenas em 2010.
O som da banda não é revolucionário – passa bem longe disso -, mas tem um destaque que faz toda a diferença: Brent Smith, o vocalista. Esse cara tem um timbre que você consegue diferenciar de longe, não para menos a minha música predileta no último álbum do Apocalyptica é a que ele canta (Not Strong Enough).

Em março desse ano saiu o novo álbum “Amaryllis” e realmente não me causou nenhum espanto, mas me peguei diversas vezes ao longo do ano ouvindo músicas como Unity, Through the Ghost, Adrenaline e Enemies. De qualquer jeito, para quem não conhece a banda ainda, sugiro conhecer a cover de “Simple Man” (originalmente do Lynyrd Skynyrd), verá uma excelente performance.


13º - Muse – The 2nd Law
Quando ouvi a faixa “The 2nd Law: Unsustainable” tomei um susto: o Muse está tocando música eletrônica? Era uma faixa de dubstep, bem parecido com que o Skrillex faz. Fiquei assustado.
O susto se dá porque gosto muito dos trabalhos anteriores deles (especialmente o Black Holes and Revelations), tendo inclusive presenciado eles ao vivo no ano passado – ainda que fosse abrindo pro U2. O negócio era esperar o álbum inteiro para tirar alguma conclusão e finalmente ver se o Muse mudou de rumo. Não me decepcionei.

A primeira faixa já dá as cartas e mostra a que veio: Supremacy é maravilhosa. A sensação melhorou quando ouvi Panic Station, música com uma introdução muito parecida com coisas que o Faith no More faz. Big Freeze e Survival são outros destaques.

Faltou talvez aquele som que me viciasse 100%, como foi Uprising no álbum “The Resistance”, mas no geral, fiquei bem feliz com a volta deles.


12º - Linkin Park – Living Things
Em 2010 eu me decepcionei muito com “A Thousand Suns”, mas com o tempo passei a ouvir mais e passei a gostar de muitas músicas. A decepção era mais porque eles não seguiram a linha da maravilhosa New Divide, lançada no ano anterior como trilha para o Transformers.

Esse ano, já sem aquele alarde irritante e sem “fãs” adolescentes histéricas que liam Capricho, os caras lançaram o 5º álbum, Living Things.

O som é uma espécie de continuação do que fizeram no álbum anterior, nada pesado, pouca distorção nas guitarras e muitos efeitos. Ainda assim fizeram algumas das melhores músicas desde o New Divide, como Powerless, Lost in the Echo e a maravilhosa Castle of Glass, que para mim é uma das melhores músicas desse grupo.

Na época de colégio, ouvir o nome Linkin Park me causava arrepios porque me lembrava daquele grupo de patricinhas modistas no qual era obrigado a conviver, mas não posso desprezar som que considero bom só porque a primeira metade da década passada foi negra.


11º - Kamelot – Silverthorn
Quando escrevi sobre o álbum “Poetry of the Poisoned” no final de 2010, eu não imaginava que estaria falando sobre o canto do cisne da era Roy Khan. Em meados de 2011 veio a bomba: Khan estava fora, não apenas do Kamelot, mas da música como um todo. Aposentou-se.
Fiquei triste, afinal, trata-se de uma das melhores vozes do metal e uma substituição, independente da qualidade, era algo impensável, mas é a vida e ela continua, tal como os membros restantes da banda. Após o trauma, o líder e guitarrista Thomas Youngblood recrutou o vocalista Tommy Karevik para assumir o microfone. E ele não decepcionou.

Embora o vazio deixado pelo Khan nunca seja suprido, a banda fez um ótimo trabalho em Silverthorn e faixas como Sacrimony, Song for Jolee, Veritas e a faixa título me fizeram ter a certeza de que esses caras são especiais. Uma das melhores bandas de power metal do planeta.


10º - Unisonic – Unisonic
E Michael Kiske volta de vez ao metal. Depois que saiu do Helloween ele fez apenas participações esporádicas em gravações de metal, focando mais em AOR – especialmente na maravilhosa Place Vendome. E voltou com Kai Hansen, companheiro de Helloween, o que gerou uma expectativa ainda maior.

Eles excederam todas as expectativas com um álbum maravilhoso. Kiske está cantando como nunca e Kai Hansen foi um excelente companheiro nessa jornada. Músicas como We Rise, Souls Alive, Renegade e a faixa título fazem com que você fique extremamente empolgado.


9º - Regina Spektor – What We Saw From Cheap Seats
Essa russa é apaixonante. A voz dela é única e o estilo de música despojada que ela faz é muito cativante, por isso, quando saiu o novo álbum dela esse ano fiquei muito feliz.

O álbum é tudo isso mesmo. A primeira música que ouvi foi All the Rowboats e ela por si só já valeria o álbum inteiro, mas outros sons são muito deliciosos de ouvir, tais como Don’t Leave Me (Ne me quitte pas), How, Open e Small Town Moon. E o fato de ser um álbum extremamente original também conta muitos pontos para mim, mas nada supera o prazer de ouvi-lo.


8º - Testament – Dark Roots of Earth
Melhor disco de thrash metal do ano – mesmo com lançamentos do Overkill, Soulfly e Kreator. Se em 2011 as bandas resolveram gastar todo seu arsenal (Megadeth, Anthrax, Trivium, Sepultura, Cavalera Conspiracy e outros), nesse ano, o Testament sobrou em relação aos outros álbuns do gênero.

Dark Roots of Earth é pesado, violento e vai direto ao ponto. Alex Skolnick é considerado um dos melhores guitarristas do metal e aqui ele demonstrou tudo isso com riffs cortantes e solos que fazem você bater cabeça sem pensar duas vezes. Duvida? Escute o single True American Hate e tente não bater a cabeça.


7º - Primal Fear – Unbreakable
Outra banda que retorna em 2012 depois de lançar um belo álbum em 2009. O álbum que mais escuto do Primal Fear ainda é o New Religion, que possui canções espetaculares como Fighting the Darkness, Sign of Fear, Everytime it Rains, Face the Emptiness e a melhor música não só do álbum, mas da carreira: a melancólica The Man (That I Don’t know), música na qual se encontra presente em meu player há anos e que me faz questionar sobre muitas coisas da minha vida.

Com Unbreakable, a trupe de Sinner e Scheepers se mantém forte. Sons como Bad Guys Wear Black, Strike e Blaze of Glory mostra ao que eles vieram. Baladas como Where Angels Die e a reflexiva Born Again mostram o talento deles, especialmente na última.

Nessa altura, fazer comparações com Judas Priest está fora de questão, o Primal Fear tem sua identidade própria e você consegue reconhece-los sem muita dificuldade.


6º - Garbage – Not Your Kind of People
Shirley Manson continua excelente. O disco Version 2.0 ainda figura entre meus prediletos e faixas como Temptation Waits, Push It e I Think I’m Paranoid não saem do meu player. A banda já tinha acabado e ninguém realmente esperava algo deles, por isso a grata surpresa ao ouvir a apaixonante Blood for Poppies, que me lembra justamente o Version 2.0. 




5º - Epica – Requiem for the Indifferent
Minha história com a banda é antiga, começou ainda em 2004, entre os álbuns The Phantom Agony e Consign to Oblivion. No fim de 2005 eu já me encontrava completamente apaixonado pela voz da Simone Simons e pelo estilo “bela e a fera” que a banda possuía, misturando elementos de death metal. Depois do ótimo The Divine Conspiracy veio aquele que considero um dos melhores álbuns que ouvi: Design Your Universe. Até hoje me arrepio quando ouço Unleashed, Burn to a Cinder, Resign to Surrender e a maravilhosa Tides of Time.

Dito tudo isso, as expectativas eram de que eles iriam atingir o mesmo nível alcançado em 2009. Não me impressionei do mesmo jeito que antes, mas isso não significa que o álbum seja decepcionante, pelo contrário, tem músicas excelentes como a lenta e excelente Delirium, uma das melhores músicas lentas da carreira do Epica, se igualando a Solitary Ground e a já citada Tides of Time e a bem trabalhada Avalanche.

Outros destaques desse álbum são Deter the Tyrant, Serenade of Self-Destruction e a ótima Storm the Sorrow. Se não é melhor que o Design Your Universe (é algo difícil), está níveis acima de muitas coisas disponíveis nos dias atuais.


4º - Van Halen – A Different Kind of Truth
Eles voltaram! E voltaram com o Dave Lee Roth, presente em seu primeiro álbum desde 1984. E voltaram pesados, com bons riffs, com os solos magistrais de um dos melhores guitarristas da história, com aquele timbre sacana de um dos vocalistas mais fanfarrões da história.
Me dá uma alegria gigantesca poder bradar aos 4 ventos que o Van Halen voltou, porque apesar de toda a demora, você sente que a espera valeu a pena.

Assim que ouvi Tattoo, o primeiro single da banda, tudo fez sentido, dentre tantas voltas de dinossauros do rock, faltava a deles e essa veio de maneira triunfal. The Trouble With Never, She’s the Woman, Stay Frosty e outras fazem com que você apenas se ajoelhe para reverenciar esses monstros sagrados do rock.

Desculpem os fãs do Sammy Hagar, mas o Van Halen é melhor com Dave Lee Roth.


3º - Stone Sour – House of Gold and Bones: Pt. 1
Corey Taylor tem uma das melhores vozes do rock atual, porém ela é subaproveitada na banda de maior sucesso da qual ele participa, o Slipknot. Embora eu goste muito da banda, acho que o Taylor canta muito melhor quando usa vocais limpos, tanto que a música que mais escuto do Slipknot é Snuff, a música mais lenta da carreira dos mascarados.

Em contrapartida, no Stone Sour ele faz mais usos das habilidades vocais, tanto que me surpreendi muito quando ouvi Bother pela primeira vez, não achava que se tratava da mesma pessoa que cantava no Slipknot, tamanha a diferença. Subitamente, Stone Sour se tornou para mim uma banda bem melhor do que o Slipknot.

O álbum House of Gold and Bones: Pt. 1 veio não apenas para ser um dos melhores trabalhos do ano: é o melhor trabalho que o Corey Taylor fez até esse momento. Os arranjos das músicas estão lindos, as guitarras estão melhores, outros elementos como violinos e pianos foram acrescentados e tudo isso casou com o melhor desempenho vocal do Corey Taylor. O álbum inteiro é ótimo, mas destaco a Tired, que tem um solo maravilhoso, Gone Sovereign, as duas The Travellers e a balada Taciturn. Vale a pena ouvir.


2º - Kiss – Monster
Qualquer um que me conheça por 20 minutos saberá da importância do Kiss em minha vida. Cresci ouvindo eles, passei a minha adolescência conhecendo a discografia deles, mesmo as fases obscuras com discos massacrados (Unmasked, The Elder) e mesmo a fase mais glam (Asylum,  Crazy Nights, Hot in the Shade). Conheci-los na fase do álbum mais picareta de suas carreiras (Psycho Circus, que além da faixa título, tem mais 3 que se salvam na reunião fajuta de estúdio), logo após o Unplugged MTV e desde então esperava por uma oportunidade de vê-los ao vivo. Claro, foi o melhor show da minha vida.

Na mesma época do show, o Kiss lançou o álbum Sonic Boom, esse sim com uma proposta bem mais honesta que o Psycho Circus e com o mais puro rock and roll. Podíamos esperar mais deles nessa altura da vida?

A resposta é sim, Monster é maravilhoso, é hard rock sem tirar nem por. Não adianta citar uma faixa específica em um caso onde todas as músicas são ótimas. Para mim, se encaixa entre os melhores, tais como Dressed to Kill, Love Gun, Destroyer, Creatures of the Night e Revenge.


1º - Halestorm – The Strange Case Of...
O melhor álbum do ano para mim. Mas por quê? Simples, é a melhor banda que poderia ter estourado esse ano. Conheci-os no ano passado quando lançaram um EP de covers, incluindo o maravilhoso cover de All I Wanna Do Is Make Love to You, do Heart.

Lzzy Hale tem mais poder que a maioria dos rockeiros atuais, além da forte potência vocal, ela demonstra uma presença impressionante. Meu queixo caiu com a melhor música que ouvi esse ano: Love Bites (So Do I). Trata-se de uma das melhores músicas de rock que ouvi nos últimos anos, direta ao ponto, com riffs viciantes, solo forte e a Lzzy Hale dando show. O resto do álbum mantém o nível altíssimo, sejam nas porradas (Mz. Hyde, Freak Like Me, Rock Show, I Miss the Misery) ou mesmo nas baladas (Break In).

Era o álbum que eu esperava ouvir esse ano. Tem todos os elementos que gosto em uma gravação de rock e recomendo sem pensar duas vezes. Aliás, torço pra que a Lzzy Hale mantenha a pegada e nos presenteie com álbuns tão bons quanto esse.
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Tem álbuns de 2012 que ainda preciso ouvir, como o novo do Soundgarden (King Animal), o novo do Aerosmith e o novo do Crucified Barbara – The Midnight Chase parece ser muito bom, mas preciso ouvir com calma. Teve outros que ouvi e me decepcionei, mas de modo geral, foi um belo ano para a música, não melhor que 2011, mas suficiente para que eu conseguisse ter bons momentos ouvindo sons que gosto.

Para 2013 não tenho muitas expectativas , talvez a segunda parte do álbum House of Gold and Bones do Stone Sour e o novo álbum do Megadeth venham para agitar as coisas, mas sinceramente duvido que seja bom como 2011 ou mesmo 2012.

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