terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sobre criatividade

Na medida em que o tempo passa, algumas coisas caem no lugar comum, enquanto na vida isso não chega a ser necessariamente um problema, na propaganda isso é fatal. Estamos em uma era onde a criatividade das propagandas não anda em sua melhor fase, mas mesmo nesse período de estiagem, ainda é possível notar anúncios que chamem a atenção do público por ter algo a mais.

Admiro demais a criatividade no sentido máximo e puro da palavra.  Uma das razões para eu ter escolhido a área de publicidade/marketing é porque são segmentos que estimulam a produção de soluções criativas para o cliente, sejam em estratégias visando crescimento da empresa ou criações – seja lá qual seja a natureza dela - que façam com que o público alvo se lembre da marca quando precisar de determinado produto e/ou serviço.

De fato, para que uma peça (seja ela qual for) cative o público alvo proposto, ela tem que fugir do lugar comum, erro crasso que muitas propagandas cometem ao escolher o caminho mais preguiçoso, colocando um rosto famoso e um roteiro meia boca com o intuito de mascarar a (falta de) criatividade – as péssimas e intermináveis propagandas de cerveja estão ai para atestar essa tese.

Um dos mantras que adoto desde os tempos da faculdade é que a criatividade é fruto de 5% de inspiração e 95% de transpiração. Ideias não caem do céu (tá, as vezes), mas referências a gente coleta ao longo da vida e consegue inserir nos mais diversos contextos propostos.

Exemplo de algo que fugiu do comum foram as propagandas feitas para o novo filme da série Duro de Matar, que começou nos anos 80. Durante a semana fui para o shopping Eldorado e na estação Pinheiros do metrô havia um display no formato de dinamites. Nele havia um relógio digital com uma contagem regressiva, como se estivesse a beira de uma enorme explosão. Momentos depois encontrei o mesmo display “bomba-relógio” na entrada do Cinemark Eldorado. Particularmente, achei uma sacada genial, já que chamou atenção pela simplicidade e casou completamente com o contexto de um filme de ação oitentista. Esse tipo de ação ganha ainda mais valor quando lembramos que vivemos em uma cidade com uma regulamentação tacanha para propagandas em locais públicos, legado do nefasto ex-prefeito.

Além das tais dinamites citadas no parágrafo anterior, na mesma linha amarela do metrô vi outro anúncio que dizia “neste filme não tem pipocas, tem pipocos”, o que achei outra bela sacada. Se o filme cumpre com as expectativas criadas pela propaganda, ainda não sei (em breve, talvez), mas fizeram um belo trabalho de colocar a série na mente de pessoas que não viveram os anos 80 e que passaram batida pelo Duro de Matar 4, que saiu em 2007.

Claro, esse foi apenas um exemplo em meio a vários outros bons exemplos que tem de criatividade, mas esse foi o mais recente e que mais me chamou atenção nos últimos tempos. Se fuçar com mais calma, vemos que tem muitas peças realmente interessantes e soluções engenhosas, mas estampadas na nossa cara já não é tão comum.

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