Nunca fui fã de conversas telefônicas, logo, meu pensamento a respeito era que “chegando lá, eu vejo como faço”, o que configuraria na única coisa que eu realmente faria no improviso, sem planejar passo a passo como foi feito com as outras coisas. Porém, minha família gosta de manter contato telefônico. Assim, eles se anteciparam e me avisaram da existência de um cartão telefônico internacional pré-pago. No caso, a própria empresa que intermediou o intercâmbio forneceu o cartão e minha função era carregar e deixar pronto para uso assim que pisasse em outro solo.
Diversas horas de voos depois, desembarquei e fui direto para a casa onde ficaria hospedado durante o período de estudos. Depois de me alojar e conversar com a host mom, fui para o centro conhecer um pouco mais a cidade e descobrir como chegava à escola. Obviamente cansado, um dos pensamentos era de ligar pra casa e dizer um simples “cheguei bem, está tudo ok”, mas ainda não tinha entendido como funcionava o cartão telefônico – era um processo chato que consistia em algumas etapas. Sem contar que fazia muito tempo que não usava orelhões.
Após falhar no primeiro dia – até pelo cansaço -, deixei para tentar novamente no dia seguinte.
Na tarde seguinte, parei em um dos poucos orelhões espalhados por Dublin e tentei novamente. As etapas eram maçantes:
1 – Ligar para um número gratuito local, algo como um 0800 daqui;
2 – Inserir o extenso código do cartão;
3 – Discar para casa com todos os números, incluindo DDI + DDD.
Não tem como negar que isso é muito chato.
Depois de várias tentativas frustradas, chequei o site do cartão telefônico comprado no Brasil e vi que o que eu trouxe não funcionava para telefones públicos na Irlanda – apenas fixos. Restou apenas passar os primeiros dias na base do envio de e-mails e mensagens esporádicas no Facebook.
Após as aulas começarem, fui descobrindo aos poucos que os outros alunos brasileiros se comunicavam com a família através de chips locais (Tesco e Vodafone), mas ao contrário deles, minhas ligações seriam mais curtas e sucintas. Por mais que eles dissessem que o preço das ligações interurbanas fossem aparentemente de baixo custo, resolvi deixar a ideia de lado.
No fim, fiquei quase uma semana me comunicando – se muito – apenas por e-mail e Facebook. Precisei ir a uma loja de conveniência regional (os SPAR’s) para finalmente achar um cartão telefônico à disposição. Perguntei se esse tipo de cartão funcionava em telefones públicos, mas aparentemente, quem estava vendendo o cartão telefônico desconhecia completamente a funcionalidade do mesmo. Como tudo o que consegui extrair foi um “I don’t know” (nessa hora a música homônima do Ozzy, ecoava na minha cabeça), restou apelar para a sorte, se algo desse errado, não teria perdido muito dinheiro.
Infelizmente, o processo de ligação com o cartão comprado na loja de conveniência era exatamente o mesmo do cartão que comprei no Brasil, logo, errei algumas vezes antes de finalmente ouvir um alô de casa. Por mais que eu odiasse telefones, seria um enorme despropósito deixar de falar com minha família, ainda que esporadicamente.
Aos trancos e barrancos, a comunicação era feita. As vezes ligava e ninguém atendia e em outras recebia e-mail cobrando o porque de não ter ligado.
Para a minha surpresa, faltando 10 dias para viajar novamente eu fui informado que a escola disponibilizava chips da Lycamobile para os alunos. Dava para nos comunicar entre nós de graça (o que na ocasião seria útil), mas teria que recarregar os créditos como costumo fazer com o pré-pago da TIM.
Útil? Talvez.
Recebi o chip pensando que ele seria um “plano B”, algo para usar em casos de extrema urgência.No fim, trouxe o chip de volta para o Brasil. Ainda está lacrado e provavelmente não irei abrir tão cedo – talvez se uma nova viagem para Irlanda ocorrer em um raio de 2 anos -, mas fica como uma das lembranças bizarras de um dos meus momentos mais maravilhosos.
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