Uma dessas bandas é o Kiss. Comecei a gostar deles ainda cedo, na época em que o álbum Psycho Circus foi lançado (1998), na ocasião eu tinha 10 anos. O álbum em si é um dos mais picaretas da enorme discografia da banda, afinal, foi lançado como disco de reunião, mas foram poucas as faixas que tiveram participação efetiva de todos integrantes como uma banda em si. Musicalmente falando é uma colcha de retalhos, pouca coisa se salva, mas a faixa-título – que também era o single principal – abriu as portas para que eu conhecesse o restante da discografia.
E aos poucos fui descobrindo os álbuns clássicos da banda, lendo as entrevistas infames dos integrantes (em especial o Gene Simmons) e entendendo como funcionava a KissMania. Aos 16 anos eu já conhecia a discografia deles e sempre dava um jeito de ouvir, seja por CD ou por streaming.
Um dos álbuns que ainda não conhecia direito era o Unmasked – salvo pelo principal single, Shandi, que figurou como uma bela faixa final no primeiro CD do álbum sinfônico que saiu em 2003. Lançado em 1980 e em meio à crise de egos entre os integrantes, o álbum Unmasked é um dos mais execrados da história do Kiss. Apesar de ter uma capa muito bonita, feita em HQ, o som era completamente diferente do que eles haviam lançado anteriormente. O hard rock vigoroso e cativante tinha dado lugar a uma produção completamente pop, bem mais latente do que o álbum anterior (Dynasty), que já tinha sido criticado por alterar uma característica inerente à banda: ser pesado, curto e grosso.
Em 2004 eu resolvi compra-lo para tirar as minhas próprias conclusões a respeito. Na época eu queria entender o porquê de baterem tão forte nesse álbum e saí à caça do mesmo na Galeria do Rock, já que era uma época onde a internet ainda estava em desenvolvimento e as lojas virtuais quase não ofereciam muitas opções de álbuns deles.
O que não imaginava era que seria tão difícil de encontra-lo, mas talvez essa seja a magia de procurar algum item fora da internet: sempre vem carregado com alguma história, por mais banal que seja.
Aproveitei que era uma tarde de sexta, saí do colégio e fui com mais dois amigos para a Galeria do Rock. Eles não tinham nada em mente para comprar, mas eu fui com a ideia fixa de adquirir o Unmasked, mesmo sabendo que não seria tão fácil assim de achar. Isso sem contar que o local é grande e as lojas são bem similares entre si, logo, procurar um CD relativamente raro pode ser facilmente comparado com procurar agulha no palheiro.
Como previsto, a resposta que mais ouvi naquela tarde foi “desculpe, nós não temos”. Os amigos que estavam comigo ficaram bem impacientes a respeito disso e não estavam ajudando ao entoarem “meu, desiste” a cada insucesso na procura, embora eu não estivesse segurando eles por ali.
Mas a persistência da tarde deu frutos. Chegamos na galeria por volta das 14h e chegando as 17h, já no limite para irmos embora, paramos em uma loja para fazer uma tentativa final de procura e enfim achamos.
- YEAH!
Claro, o vendedor ficou bem confuso quando me viu comemorando o encontro de um álbum como se eu estivesse comemorando um gol, mas naquele momento eu não me importava com o que ele estava achando.
Assim que cheguei em casa, não perdi tempo e coloquei o CD no primeiro player que vi pela frente para poder tirar minhas próprias conclusões e entender porque era um álbum tão massacrado. O álbum está realmente longe de ser um Destroyer ou um Love Gun, mas não é uma porcaria completa – embora músicas como Naked City sejam constrangedoras. Também não é o pior álbum que o Kiss lançou (essa “honra” fica com o terrível Crazy Nights). O fato de suceder uma década de álbuns clássicos deu um carma fora de série para esse álbum e afetou até lançamentos futuros que musicalmente seriam bem melhores, como Creatures of the Night, último álbum com máscaras até a reunião em 1996.
Hoje, o álbum tem seu significado pra mim, mas não é musical – o Kiss fez muita coisa bem melhor que eclipsa a própria existência do álbum. O disco me faz lembrar como eu tinha vontade de conhecer discografias de bandas e que não media esforços para isso, ainda mais quando se trata de uma das minhas bandas favoritas.
Vai, a capa é bonita!

Uma das coisas boas da galeria do rock é encontrar itens mais raros de encontrar nas lojas comuns. Nem sei se continua assim nos dias atuais, procuro evitar esse local pois o nível dos frequentadores caiu muito rs
ResponderExcluirVc tem razão sobre a capa, é uma das mais bonitas.