Na minha fase de transição entre criança e adolescente, havia um desenho que gostava de acompanhar: Pokemon. O único anime que gostei em minha vida.
Nunca gostei de animes. Ainda não gosto e não me sinto nem um pouco inclinado a dar uma nova chance para esse tipo de desenhos. E não foi por falta de tentativas, afinal, simultaneamente à época de Pokemon, tentei assistir Dragon Ball, Monster Rancher e alguns outros animes de menor expressão. Nenhum deles me empolgou, pelo contrário, me sentia entediado como nunca antes enquanto tentava assistir. Vai ver era a falta de alguma história concreta, continuidade ou mesmo personagens carismáticos que se diferenciavam um dos outros.
Em compensação, Pokemon tinha personagens com características bem pessoais, monstros interessantes e evoluções ainda melhores, uma jornada concreta e batalhas que primavam pela estratégia do treinador de pokemons. O fator emocional também pesava em alguns episódios e filmes (especialmente o segundo filme), tinham momentos em que lágrimas apareciam nos olhos, tamanha beleza da cena. Era uma das séries mais bem trabalhadas que vi em desenhos animados e para mim, continua sendo.
Porém, o tempo foi passando e perdi o fio da meada em relação ao crescimento da série. A quantidade de monstros aumentava de maneira absurda, personagens antigos saíram de cena e a identidade adquirida foi se perdendo. Conta também o fato de que não havia mais um canal fixo para a transmissão do desenho - comecei vendo na Record, depois migrou para outro canal - e o pouco que vi posteriormente tinha sido por downloads na internet. Tanto é que após a 5ª temporada, acompanhei apenas alguns episódios esporádicos, seja por não saber onde transmitir ou mesmo pela descaracterização da série. Pouco.
Mas se for para passar a tocha para essa nova geração de crianças, um dos desenhos que indico certamente é o Pokemon, especialmente até a 5ª temporada. Dito isso, posso me considerar feliz que minha irmã mais nova se interessou muito na série e passou a acompanhar com veemência. Ela não chegou à essa zorra que a série ficou atualmente, mas acompanha as primeiras temporadas, que justificam todo o frisson que a série causou entre 1999-2002.
No entanto, o que me deixou mais feliz foi ver que ela teve iniciativa própria de procurar os episódios da série para assistir, já que eu não falava muita coisa sobre Pokemon de maneira específica – geralmente priorizava falar sobre outros desenhos que também fizeram parte da minha infância.
Perguntei para minha irmã qual site que ela utilizava para ver os episódios, aproveitei a carona e passei a assisti-los novamente. Um surto de nostalgia veio forte, como se uma cascata estivesse jorrando.
Com um novo ritmo, revi episódios perdidos e outros menores que não me recordava. Percebi que tem séries que realmente duram para sempre.
A despeito da perda de identidade da série com o passar dos anos – e que pelo que vi, parece não ter fim -, espero de coração que essa nova geração saiba como foram boas as primeiras temporadas de Pokemon e também procure entender porque isso foi febre na virada do século. Discutir a respeito dos monstros e episódios com uma criança que está conhecendo a respeito da série foi igualmente legal.
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