Em 2001 também surgiu outra banda que emplacou um curioso hit nas rádios: O Surto – A Cera.
Confesso que demorou muito para saber se o nome da banda era “A Cera” ou “O Surto”, mas a verdade é que eles explodiram e conseguiram fazer uma música extremamente grudenta, com um refrão que até hoje é usado em algumas sentenças. Se alguém usa a frase “pirou o cabeção”, pode ter certeza que veio dessa música.
Um dos meus esportes favoritos era chegar a um amigo, fã de Charlie Brown, e dizer eu que gostava da música “que me pirou o cabeção”, falando que nessa o Chorão tinha acertado. Até hoje se alguém faz isso, tem um fã (não tem coisa mais chata que fãs) que fica irritado e toma as dores da banda, o que deixa tudo ainda mais engraçado.
Verdade é que a música possui frases que são pérolas históricas, daquelas que vale desconstruir uma a uma, inclusive com a tonalidade de voz do vocalista, cujo nome nunca soube e que tive preguiça de procurar até mesmo no Wikipedia. Vamos a elas.
EU TAVA ALI!
Um início bombástico. Ele coloca tanta ênfase que estava ali, que por um momento achava que ele falaria sobre um local específico. Típico momento em que podemos dizer um “beleza campeão”.
Ela também, ela também estava ali.
O tom de voz diminui drasticamente, creio que ele queria dizer a todos apenas que ele estava ali, a presença dela é secundária. Nota que ele usa o “ela também” uma duas vezes, alguém explica?
Tava parada e olhando para mim.
Assim, aleatoriamente? Você tem certeza que ela não estava olhando para você puramente porque a braguilha estava aberta?
A conversar com um chegado bem do meu lado, me encorajando a chegar junto dela.
Ele falou um “eu tava ali” com tanta marra que por um momento pensei que era um galã de cinema chegando ao local. No fundo, era um rapaz tímido que estava pedindo para o amigo fazer a ponte entre ele e a pobre garota, que provavelmente ouviria boas cantadas.
Fala pra ela sobre a minha intenção, antes que esqueça pois pirei meu cabeção.
Nada demais aqui, apenas tá dizendo para tentar resolver a situação dele antes que ele tenha uma amnésia alcóolica por abusar da cangebrina.
Eu vou me levantar, vou lá onde ela está, FALA PRA ELA!
Mas cara, se você levantar e for para onde ela está, precisa mesmo abusar da paciência de seu amigo e manda-lo falar pra ela o que você tem a dizer?
Um rosto lindo e um sorriso encantador.
Nada a dizer aqui, tudo beleza.
E um jeitinho de falar que me pirou, que me pirou o cabeção.
Mas cara, se você está ai (e ela também, ela também estava ali) e sequer falou com ela, como você pode dizer que ela tem um jeito de falar que te pirou o cabeção? Usaste tóxico?
Após repetir o refrão, vamos a que talvez seja a melhor sequência da música.
QUE ELA ERA SHOW.
Novamente com ênfase, mas repito: isso tudo sem sequer falar com a garota. O platonismo parece que deu a tônica para essa música. Ele parece estar imaginando as situações, mas não move um dedo para falar com ela.
E o piercing dela refletia a luz do sol.
Frase mais romântica da história. Sem mais.
Os olhos dela me indicavam a direção.
O GPS ocular da coitada indicava a direção do banheiro né?
Cabelo ao vento, meus olhos sempre atentos aos seus movimentos.
Que sexy.
Que piração!
Concordo, até agora estou procurando o sentido de tudo isso. Depois de muitos versos achamos um que faça sentido sobre essa “história de amor” – ainda que platônico. Que piração.
Acho que é hora de uma aproximação.
Depois de duas horas com intenção de conversar com a garota você sequer deu um “oi”? A música claramente fala sobre timidez (só pode), mas a marra com que ele canta essa parte não condiz com nada do que foi dito. Bizarro.
De um diálogo sobre esta condição.
Conte-me mais sobre esta condição, vai fazer uma discussão de relacionamento sem sequer conhece-la?
Dessa história de pirar meu cabeção, MEU CABEÇÃO!
Aparentemente ele está bem pirado mesmo e sente uma tara pelo crânio gigantesco dele próprio, porque não é possível que alguém dê tanto destaque para isso.
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Pior de tudo é que ele repete a segunda estrofe da música murmurando de um jeito em que só ele deve ter achado “sexy”, naquela que considero uma das piores pontes da história da música.
Essa musica meio que reflete a idiotização das músicas na virada do milênio. Era um sinal dos novos - e bizarros - tempos.
Que piração!!!!!!!! hahahaha
ResponderExcluirkkkkkkkkkk Muito boa reflexão! Eu tb nao sabia qual era o nome da banda e qual era o nome da música. Até este momento ainda não sei, tô com preguiça de pensar sobre isto. hheehe
ResponderExcluirDe CBJ eu gostava, não com tanta intensidade mas gostava sim :)