No início de março, sabendo que meu uso da rede tinha ficado cada vez mais automático e de um modo nada saudável, resolvi tentar a primeira ruptura, ainda sem deletar nenhum perfil e obtive um relativo sucesso: entre março e maio, fiquei um bom período sem usar as redes sociais, como uma espécie de teste para a minha produtividade e bem estar. E foi ótimo, fiz um registro de todas as atividades realizadas durante o período e senti que fazia muito tempo que não produzia tanto, seja em desenvolvimento de ideias ou seja em leituras (foram cinco livros no mês de abril, recorde de uma vida). Inclusive, nesse período desenvolvi diversas ideias que culminaram no meu blog de comunicação que coloquei no ar na metade de maio (e também a versão em inglês do mesmo). E então, após colocar o blog no ar, na segunda metade de maio, voltei a utilizar mais as redes sociais.
Se com o Facebook obtive êxito em transformar a rede em algo mais útil, com menos pessoas (como prefiro saber da vida da pessoa conversando com ela pessoalmente, cancelei a assinatura de, basicamente, quase todo mundo), mais links de assuntos que me interessam e com o mínimo de tempo na rede possível - ainda está lá, mas não faz a menor falta no cotidiano -, com o Twitter foi diferente.
Desde o nascedouro do perfil, sempre gostei muito das sacadas rápidas e dos tweets engraçados. Concatenar ideias em 140 caracteres é uma premissa muito boa. Quando comecei a usar, ainda estava na faculdade e meus primeiros tweets foram sobre o show do Oasis, o TCC que estava em desenvolvimento e a campanha do Palmeiras na Libertadores de 2009. O tempo passou, teve diversos momentos que deixei o perfil de lado, mas sempre acabei voltando, justamente por conta da parte alegre do site. E mesmo após quase dois meses sem usar, o modo como voltei a usar ainda foi igual a antes, então, restou apenas a decisão final e mais radical.
O problema é que isso consome muito tempo e energia, afinal, quando menos percebemos, já passamos horas rindo, anestesiados, de algum meme ou de sacadas engraçadas. Sem contar que, por mais que eu tente manter meu espírito elevado, o clima beligerante (isso, é bom ressaltar, está presente na humanidade como um todo) tomou conta das redes sociais. Por ser um meio frio, a internet é um dos piores lugares para engajar uma discussão (inclusive, escrevi sobre isso aqui) e a tendência é que isso piore a cada dia que passa. Sempre mantive uma postura de respeito ao próximo e trato a outra pessoa do jeito que eu gostaria de ser tratado, mas acredito muito em energias e, por mais que seja um ambiente virtual, trata-se de um ambiente carregado e que tem o poder de negativizar a energia de uma pessoa. Mesmo com risadas, não era saudável.
Apertar o botão de "desativar a conta", especialmente se você usa a mesma por mais de cinco anos, é um tanto complicado, especialmente pelo valor nostálgico (que era, basicamente, a última coisa que me segurava por lá). Mas por outro lado, demorei demais para colocar um fim após várias vezes que pensei em deletar, sendo que a primeira vez foi no já longínquo ano de 2011. Depois, no final de 2012 também quase apaguei a conta e, por fim, na virada de 2013 e 2014 senti o cansaço definitivo da ferramenta.
É bizarro pensar que um site fez parte da minha vida por tanto tempo, mas nunca é tarde para corrigir isso. E assim seguimos a vida.
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