sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Febre de Bola

Já era madrugada de quinta, dia 18 de setembro, quando desembarquei na estação de metrô mais próxima de minha casa. O relógio indicava 01h03, não havia mais nenhum movimento na estação e o silêncio só não era completo porque eu conseguia ouvir o barulho do trem mesmo à distância. Por que eu estava nessa situação? Por amor. Amor ao Palmeiras que me fez sair do estádio municipal após a meia-noite, paixão que me fez esquecer que esse horário esdrúxulo só atrapalha a vida de todos que gostam de futebol e também me fez esquecer da situação vivida pelo time na tabela, brigando contra o rebaixamento. Paixão que não apenas me moveu, mas fez quase 20 mil pessoas estarem presentes no estádio, empurrando o time até empatar uma partida que parecia perdida.

Após essa introdução, devo dizer que menos de 15 dias após a data citada, li o livro "Febre de Bola", do Nick Hornby. É um dos livros mais emocionantes que eu poderia ter lido nos últimos tempos, especialmente quando me lembro do primeiro parágrafo e de outros diversos outros momentos relacionados ao Palmeiras. Inclusive, me pergunto o porquê de não ter lido esse livro antes, já que a minha paixão pelo Palmeiras vem desde criança. Não importa se eu tivesse lido esse livro em 2002, 2007 ou se eu fosse ler em 2016, a identificação com a obra seria exatamente a mesma.

A maneira como Nick Hornby entrelaça os fatos da vida dele e as reflexões do cotidiano com as partidas do Arsenal (time de coração do autor) é algo que também faço com frequência, afinal, o Palmeiras, para bem ou para mal, é uma parte muito significativa da minha vida, estando lá em períodos bons e períodos obscuros. Também vale ressaltar o jeito passional que ele fala sobre jogos que nada valeram, mas que mesmo assim ele esteve presente e relata detalhes, é algo tocante e que também faço, às vezes irritando amigos com essas inserções de jogos em contextos - inclusive, escrevia diversos textos sobre jogos desse tipo no blog "Palestra em Campo", mas que está parado no momento.

Pessoalmente, já fui (e ainda sou) muito questionado por “ser fanático” e confesso que já tentei, por mais de uma ocasião, frear esse hábito. Mas é parte de mim, assim como o autor se sente parte de um organismo vivo do Arsenal, eu me sinto parte pertencente de uma história centenária e pulsante como a do Palmeiras, assim como outros 15 milhões de torcedores, de arquibancadas ou sofá, espalhados por ai.

Por fim, como disse o autor, é um amor no qual não queremos nada em troca e até doentio, pois sabemos que o clube não costuma ligar muito para a torcida (no nosso caso, sinto que nos odeiam), mas continuamos firmes e abnegados, mesmo em jogos nada divertidos.

Para todos que querem entender como funciona a cabeça de um torcedor e para outros que gostam de uma boa leitura, independente de ser de arquibancada ou não, recomendo esse livro de coração.

Vale a pena.

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O primeiro livro de Nick Hornby que li foi "Alta Fidelidade", um livro recheado de referências musicais e personagens carismáticos. Também li esse ano, o que me faz lamentar muito o fato de conhecer o autor meio tarde em minha vida. Mas antes tarde do que nunca, certo?


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