quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Casamento e os gols do Palmeiras

No último sábado (11/10), dois amigos muito queridos se casaram em uma das cerimônias mais bonitas e completas que alguém poderia ver. Foi emocionante e ao mesmo tempo foi o momento onde meu sorriso de alegria por todos presentes foi uma das coisas mais espontâneas da minha vida.

Infelizmente, como a tabela do Campeonato Brasileiro é ingrata e sem critérios, o jogo Palmeiras x Grêmio, pela 28ª rodada, aconteceu no mesmo sábado à noite (21h). Quando chequei a tabela e vi que o casamento aconteceria no mesmo fim de semana desse jogo, minha torcida era para que a partida ocorresse no domingo, afinal, o Palmeiras era o único paulista que jogaria na capital na rodada e não faria o menor sentido colocar no sábado. E era um jogo de extrema importância na briga contra o rebaixamento (obrigado por mais essa, "presida").

Por ser dois amigos muito queridos, obviamente escolhi o casamento e finalmente quebrei a minha sequência pessoal de mais de um ano sem perder jogos do Palmeiras em São Paulo enquanto mandantes - o último jogo que tinha perdido foi o fatídico Palmeiras x Tijuana, em maio de 2013, pela Libertadores e desde então foram 39 jogos (26 neste ano e 13 no ano passado, a partir do jogo contra o ABC, em julho). Muitos talvez encarem essa sequência como algo doentio, mas a verdade é que não me arrependo nem um pouco de ter feito isso, mas deixo para falar mais sobre isso em um próximo texto, quando também falarei do livro "Febre de Bola", escrito por Nick Hornby.

Voltando ao casamento, depois da cerimônia veio a recepção. E a angústia pelo jogo só aumentou e não falo só por mim, afinal, os noivos também são palmeirenses e os outros amigos que estavam ali também. Estamos falando de amigos que frequentam arquibancadas comigo a quase 10 anos. Por isso, levei meu fone de ouvido no bolso do terno e já deixei a rádio do meu celular devidamente sintonizada na estação certa para apertar o "play" esporadicamente entre as 21h e 23h.

Fazia muito tempo que não ouvia jogo pelo rádio, afinal, ou eu estava no estádio ou o Palmeiras jogava fora de casa - a última vez que ouvi um jogo pelo rádio foi parte do jogo Palmeiras x Ceará, pela penúltima rodada da Série B do ano passado, mas como o time já tinha sido "campeão" (desculpem, segunda divisão não é título), ouvi apenas parte do jogo, por puro impulso. Tinha esquecido que ouvir jogo pelo rádio é muito mais angustiante do que o normal, afinal, apenas imaginamos como foi a jogada e nosso sentimento se amplifica com a narração costumeiramente exagerada dos locutores de rádio. Por conta de tudo isso, fiquei em desespero quando ouvi que o Cristaldo perdeu um gol supostamente feito, mas quando vi os lances em casa, não era aquela bola que só precisava empurrar para dentro.

Seria muito rude da minha parte ficar com o fone de ouvido na festa pelos noventa minutos, então eu colocava, ouvia alguns lances, o placar, percebia um pouco do clima do jogo (naquele momento eu queria ser dois Marcus e também sentir a atmosfera do Estádio Municipal) e voltava de corpo e alma para a festa, mas não sem antes passar todo o clima do jogo para todos os outros palmeirenses do local.

De tudo o que estava ouvindo, a sensação era de que o Palmeiras iria vencer a qualquer momento, mas fui interrompido por uma mensagem de texto nada animadora de um amigo que não estava no casamento, mas estava vendo o jogo:

- O Palmeiras jogando melhor e o juiz dá pênalti para o Grêmio.

Mostrei a mensagem para os palmeirenses do local e todos desanimamos. O Grêmio de fato converteu e quando ouvi o rádio novamente, estávamos perdendo um jogo importante de um jeito cruel. Não é fácil ser palmeirense.

Minutos depois, tentei colocar o fone de ouvido para tentar saber se o Palmeiras reagiu na partida, mas foi no momento em que a banda recomeçou a tocar. Como o som estava alto e meu fone de ouvido não era lá essas  coisas, fui para o banheiro, um ambiente fechado, distante do palco e cujo o som de fora não interromperia o jogo.

A vida as vezes nos presenteia com doces surpresas e no momento em que coloquei o fone de ouvido no banheiro ouvi o grito de gol do narrador. Era o gol de empate do Palmeiras.

- GOL, CARALHO, É GOL DO PALMEIRAS, PORRA! - Isso, no banheiro, assustando (e muito) os que ali estavam.

Então resolvi compartilhar a alegria com os amigos palmeirenses do casamento. Primeiro, os amigos que estavam na mesa e depois os noivos. Claro, todos ficaram ainda mais felizes da vida. Mas imaginem a cena: um palmeirense lunático sai do banheiro de um casamento gritando gol como se não houvesse amanhã. Ao menos no nosso círculo, era algo inédito.

- EMPATAMOS. CARAS, VAMOS SAIR DESSA.

Depois de uns bons minutos para acalmar um pouco e deixando secar o suor derivado de sair correndo e pulando feito um retardado (mesmo de terno e gravata), resolvi voltar ao banheiro para ver se tinha acontecido mais alguma coisa na partida.

E aconteceu a mesma coisa: assim que pisei no banheiro e coloquei o fone de ouvido, o Palmeiras fez uma jogada que resultou em gol. Era a nossa virada. Que momento doce.

- VIRAMOS, VIRAMOS, AQUI É PALMEIRAS!

Repeti o processo de sair correndo que nem maluco, falei que o Palmeiras estava vencendo e o casamento, que já era um momento apoteótico por si só, ficou ainda mais alegre. Os noivos e todos os palmeirenses do local comemoraram ainda mais.

Nos últimos minutos do jogo voltei ao banheiro para ouvir os minutos finais e ter a confirmação da vitória, coroando um dia que seria maravilhoso de qualquer jeito, mas que ficou ainda mais espetacular com a terceira vitória seguida do Palmeiras.

Nenhum comentário:

Postar um comentário