quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Guilty pleasures - Na música

Nesses últimos dias conversei com uma amiga sobre shows de música que frequentei ao longo da vida. No meu caso, a maioria massiva dos concertos foram de rock e heavy metal, mas no meio de tais shows tinha um que não se assemelhava em nada aos que tínhamos conversado: Backstreet Boys. Há um abismo na diferença de estilo entre eles e um Sepultura (para citar apenas um exemplo), o grupo foi e ainda é ridicularizado pela massiva maioria dos fãs de rock e eles são o expoente pop dos anos 90. Por conta disso, por muito tempo os tratei como guilty pleasure ao invés de dizer "gosto mesmo e não estou nem ai" - postura que veio só pelos idos de 2013.

O que é guilty pleasure? É algo que gostamos, mas sentindo uma certa culpa no processo, sabendo que seremos julgados por tal ato - e, dependendo da pessoa ou ocasião, não ligando nem um pouco para isso. No meu caso, tem quatro grandes segmentos da vida que tenho esse "sentimento": música, cinema, séries e culinária. Geralmente são coisas que as pessoas execram e, dependendo do caso, até possuem um certo ponto por isso, mas isso não impede de gostar.

A postagem de hoje abordará o tema mais fácil de desenvolver e que foi o ponto de partida para que eu pudesse expandir mais esse tema no blog. No meu caso, gosto de envolver todo o conjunto da obra, contextos, associações mentais e qualquer outra coisa que entre no bolo. Vamos à lista:

The Cardigans - Lovefool
Inicio a lista com um grupo que adoro e não sinto vergonha nenhuma de admitir que gosto. Gran Turismo é um álbum muito bom e a música "My Favourite Game" tem um efeito nostálgico muito forte em mim. A própria música escolhida, "Lovefool", é muito gostosa de se ouvir, possui um videoclipe deliciosamente esquisito e não lembro de ninguém condenando essa música.

Mas admito que a única vez que cantarolei essa música foi em um karaoke e estava com níveis alcoólicos acima do que a carta magna permite. Não sei dizer o porquê, mas quando estou sozinho só falta ajoelhar em direção ao norte fazendo caras e bocas ao cantar essa música, mas é o tipo de música que cantaria discretamente com qualquer outra pessoa por perto - exceto, talvez, se a pessoa padecesse do mesmo problema.

Se você leu, certamente você está cantando "love me, love me, saaaaay that you love me" fazendo poses e não irá admitir isso.

Quase todo o material do Bon Jovi até o álbum Keep the Faith
Bon Jovi, até 1992, sintetiza todo o hard rock farofa dos anos 80, década mais cafona da história da humanidade. Não tínhamos uma, mas várias bandas que poderiam se encaixar nessa categoria de "farofa guilty pleasure": Poison, Cinderella, Warrant, Dokken, o próprio Kiss na era Asylum, Pantera antes de Phil Anselmo e muitas outras bandas que soavam quase a mesma coisa.

Eles lançaram muita coisa digna para a lista: "Bad Medicine", "Born to be My Baby", 'Runaway", "I'll Be There For You", "Livin' on a Prayer" e por ai vai. O arsenal é pesado.

Mas nada, absolutamente nada, passava perto do clipe de "You Give Love a Bad Name" quando o assunto é farofa. Tudo ali me faz sentir vergonha de gostar tanto da música: penteados ruins, poses ainda piores, roupas espalhafatosas, viradas espetaculares e por ai vai. Mesmo com tudo isso, gosto horrores do som e sempre faço poses de rockstar com o maior orgulho do mundo quando essa música começa a tocar.

Sei que é o tipo de banda que as pessoas fazem olhares de reprovação quando digo que canto "Born to Be My Baby" fazendo caras e bocas, mas quem liga?

Não há limites para a farofa.

Ace of Base - The Sign
Eu gosto de Ace of Base sem culpa alguma, afinal, eles fizeram músicas que me remetem a um período bem gostoso da minha infância.

Mas admito que a música "The Sign" possui todas as características necessárias para entrar na lista: batidas grudentas, refrão pegajoso e um clipe cheio de coisas esquisitas acontecendo. Isso não impede de me fazer cantarolar a música como se não houvesse amanhã.

Jennifer Lopez feat. Pitbull - On The Floor
A Jennifer Lopez é uma cantora pop apenas ok e é uma atriz que não convence. Mesmo assim, ela produziu musicas bem grudentas, como "If You Had My Love" e "Waiting For Tonight", ambas me lembram que meus guilty pleasures vem desde a pré-adolescência. Essas musicas tocavam a todo instante, mas, com toda a idiotice inerente a idade, não admitia que secretamente gostava delas. Alguns anos mais tarde, a mesma coisa aconteceu com a música "Love Don't Cost a Thing", que seguiu a mesma linha.

Entretanto, foi mais de dez anos depois que veio a verdadeira musica na qual gostava, mas sentia uma certa culpa por isso: "On The Floor", que saiu no início de 2011.

Na época, saía para baladas com mais frequência do que gosto de admitir e essa musica, que tem pedaços da música "Lambada", acabou sendo um pequeno símbolo do período. A música em si tem uma batida bem atrativa e uma pegada "dance" que me impede de ficar parado, mesmo se estiver usando fones.

Mas confesso que nunca admiti que ouvia (e às vezes ainda ouço) essa música fora do ambiente de balada.

Demi Lovato - Confident
Esse é o mais recente e foi a principal motivação para escrever esse texto. Já tinha ouvido algumas músicas dela antes e a minha conclusão foi de que era apenas mais uma dessas cantoras pop enlatadas que nem valeria a pena perder o tempo. Inclusive, adorei a invertida que ela tomou em um programa musical no qual ela era jurada, quando um senhor soltou em rede nacional que "ao menos eu não faço auto-tune". Tal vídeo virou hit no Youtube por algum tempo.

Entretanto, por algum "networking do guilty pleasure" que só o Youtube proporciona, essa música apareceu como sugestão. Cliquei no thumbnail como quem não queria nada e vi o clipe. E gostei. Muito, a ponto de pressionar o repeat compulsivamente.

A música é grudenta, tem uma batida envolvente e um refrão que não consigo deixar de cantar junto. O clipe, dirigido por Robert Rodriguez (Sin City, Machete e outros) também é um atrativo, especialmente pela presença da Michelle Rodriguez.

Nunca imaginei dizer "gostei muito dessa música da Demi Lovato". Pois aconteceu.

Bruno Mars - Talking To The Moon
Ele é um cantor pop até legal, mas lançou a exageradamente açucarada "Talking to The Moon" - música que gostei, mas do mesmo jeito que as citadas anteriormente: sendo um guilty pleasure. O som explodiu em 2011,  sendo trilha de alguma novela aleatória, mas foi depois de alguns drinks que me vi cantando essa música. Depois disso, é impossível eu não ouvir e fazer poses como se estivesse fazendo uma serenata para a lua. Piegas? Você decide.

Mars ainda lançou "Grenade", música que gosto muito, mas não consigo encaixar tanto nessa categoria, pois aprendi até a tocá-la no violão.

N'Sync - Bye Bye Bye
Essa foi tardia, pois para mim ela passou indiferente na época em que realmente estourou (início dos anos 2000). Em 2013 vi um episódio de Scrubs onde o cirurgião Chris Turk coloca essa música de toque para celular e afirma que traria a música de volta para a moda. Na cena seguinte, em um momento hilário, o hospital inteiro começa a dançar essa música. Vejam a cena e entendam porque Scrubs é uma das melhores comédias de todos os tempos.

O problema é que Turk trouxe mesmo a moda de volta, ao menos para mim. Não passou muito tempo e passei a ouvir essa música mais do que o normal, decorando letra e tudo mais. Por algum tempo, cogitei até colocar de ringtone em meu celular.

Hoje, dançaria sem vergonha alguma junto com o pessoal do hospital Sacred Heart.

One Direction - Midnight Memories
Meu primeiro contato com esse grupo foi curioso, pois conheci-los através de uma paródia que fizeram de um Bar Mitzvah que viralizou em 2012. Demorou meses até ligar os pontos e finalmente perceber que a música originalmente é do One Direction, então a boy band do momento.

Na época nem dei muita atenção para o grupo, já que a única coisa que chamava a atenção era a histeria dos ditos "directioners", mas no ano passado, durante uma propaganda de 15 segundos que VEVO promove, o refrão da música "Midnight Memories" grudou ma minha cabeça como super-bonder.

Desde então, venho ouvindo essa música, batendo palmas no refrão e sentindo vontade de criar alguma memória maluca na meia-noite, algo que nem o álbum "Creatures of The Night", do Kiss, foi capaz de inserir em minha mente.

Britney Spears - Circus
Na verdade, meu grande guilty pleasure em relação à ela é que gosto de inserir a frase "It's Britney Bitch" em qualquer situação. Não falta muito para virar uma frase de "vitória".

Musicalmente falando, continuo achando a Britney péssima. A voz dela é tétrica, ela não tem carisma e as letras são estúpidas. Mas mesmo sabendo que é ruim, muitas músicas grudaram - para a maioria delas, adotei a galhofa, como "Oops...I Did it Again!". Se é ruim, mas gostoso de ouvir, nada melhor do que pilhérias, certo?

Porém, há uma música que considero genuinamente boa: Circus. E sinto culpa por ouvir sem ironias, pois gostei do clipe, do ritmo, da batida e do refrão.

Extreme - Hole Hearted
Quando toca essa música, bato palminhas, danço igual ao Gary Cherone, estalo os dedos e até faço coraçãozinho com a mão na hora do refrão. Na frente de alguém? Jamais.

Outras músicas que também estão no panteão guilty pleasure:
Christina Aguilera - Dirrty, Billy Ocean - Caribbean Queen (No More Love On the Run), Kanye West - Heartless, JoJo - Too Little Too Late, Men Without Hats - Safety Dance, Dead or Alive - You Spin Me 'Round (Like a Record), Rick Astley - Never Gonna Give You Up e outras que provavelmente esqueci de listar hoje e estarão em uma próxima rodada.

Um comentário:

  1. Eu tô numa fase que, desta lista, nem Bruno Mars seria considerado guilty pleasure, haha, ando curtindo de um tudo, até Anitta nas festinhas.

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