domingo, 21 de agosto de 2016

Hoje contei pras paredes coisas do meu coração

Sabem aqueles dias que você apenas deita e encara o teto de seu quarto ou cômodo sem intenção nenhuma exceto em deixar a mente fluir e os assuntos acabam entrando e saindo da cabeça como um rio em curso? Então, eu aprecio muito esses momentos, faz com que uma paz interior adentre e ali permaneça por muitas horas.

Em um desses dias estava sozinho em casa e estava deitado em minha cama, olhando para o teto, quando resolvi levar ao pé da letra um dos versos da música Amor I Love You, da Marisa Monte. No alto de um momento de solidão, resolvi conversar com o concreto de casa como se ele fosse um amigo antigo e contei coisas do meu coração. Coisas novas, antigas e que me traziam um certo conforto.

Contei para as paredes como sinto falta de um amor de verdade, em apenas um singelo "o que é preciso?". Obviamente não esperava resposta, mas senti um certo conforto, após alguns instantes, em saber que isso não tirou meu espírito de luta. Refleti um pouco mais e concluí que a razão da falta de um amor de verdade talvez seja porque ainda precise desenvolver melhor meu amor interno, que mesmo melhorando gradativamente, ainda está longe do ideal. Talvez eu ainda não esteja pronto para isso e deva encarar com mais leveza o resto dos meus 20 anos que ainda restam nesse aspecto.

Por outro lado, também contei para as paredes como fiquei feliz em ver diversos outros pontos da vida progredindo. Fiquei feliz em me sentir mais propenso a experimentar coisas novas. Coisas como, por exemplo, iniciar aulas de boxe e cogitar seriamente começar aulas de dança. As paredes também ficaram felizes a diminuição do meu senso de urgência, que por vezes me travou e me fez tomar decisões erradas. Calma se tornou a palavra de ordem. Por mais que eu adore a música Exagerado, do Cazuza, aos poucos a sentença "até nas coisas mais banais, pra mim é tudo ou nunca mais", que, de maneira inconsciente, levava ao pé da letra, hoje passa a fazer menos sentido.

Não esqueci de falar com as paredes sobre meu ímpeto de, cada vez mais, querer conhecer lugares novos. Outras paredes, que também tem suas histórias registradas por outras pessoas.

Por fim, coloquei minhas mãos nas paredes e as agradeci por tê-las ali, não apenas por me ouvir, mas por apenas por estarem ali, por me abrigar e por todos esses anos de transformação.

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