Do mesmo modo que as entendo que o parque fica menos vivo em dias nublados, isso não me impediu de sentar na grama e ter a sensação de possuir um parque inteiro, em um raro momento de desaceleração no ano.
Sim, meu 2017 foi intenso até os últimos momentos. Apenas ontem que senti que o ano de fato terminou e finalmente consegui pensar em como as coisas se desenrolaram ao longo desses 365 dias, em como as coisas mudaram nesse período. Foi o meu último ano inteiro dentro do espectro dos vinte anos - ainda tenho mais um mês e meio para me "despedir" desse período da vida - e aos poucos fui sentindo essas mudanças, no físico (acho que chegou ao fim o período de exageros) e no psicológico.
Ainda sentado na grama molhada, respirei e agradeci aos céus, afinal, se o ano não foi forte como o anterior, as coisas boas suprimiram as ruins.
Comecei o ano com ânimo em alta e acelerado, fruto do ano anterior quase impecável. Nos dois primeiros meses saí bastante, não importando muito se chovia ou se estava sol. Paralelamente, me sentia no céu por ter, enfim, me matriculado em uma pós-graduação (uma das melhores do continente na área que atuo) após anos de luta, ainda mais quando penso que em 2013 isso era um objetivo que talvez só fosse alcançado se estivesse com outro corpo e alma. Janeiro e fevereiro foram também os últimos meses que fui ao estádio com a frequência dos anos anteriores e já sabendo que isso estava para acabar.
Em março, me senti um garoto de 18 anos novamente ao voltar para as aulas. Era visível meu brilho nos olhos ao comentar sobre essa nova fase na vida. Se tem algo que vou guardar com extremo carinho nesse ano, é essa jornada na pós-graduação, com muitas pessoas novas no caminho, com a mesma pegada e sede de aprender que tenho. As "horas bar" foram alguns dos momentos que guardarei com carinho para a vida inteira.
2017 foi o ano que voltei para o circuito de shows. Na primeira vez que fui ao Lollapallooza, vi o Metallica, minha banda preferida, pela segunda vez, em meio a turnê do álbum "Hardwired". Ainda vi Def Leppard e Aerosmith, duas das bandas que mais ouvi na minha adolescência e início da fase adulta. Teve também a Lindsey Stirling, uma violinista que conheci já na fase adulta e que faz crossover com música eletrônica. Por fim, fechei o ano com o show do Titãs, uma das bandas nacionais que merece todo o respeito do mundo e que fazem um rock brasileiro bem cativante - esse último, foi após o circuito Rolling Stone, corrida que emendou com o show.
Falando em corridas, esse foi o ano que mais participei de provas de rua. Foram cinco no total, mas a que mais marcou foi a "Seven Run", no final de maio, culminando em uma recuperação física recorde após uma pedra no rim e dez dias com cateter no início do mês. A tendência é que corra ainda mais no próximo ano, uma vez que peguei gosto por isso - tanto que hoje corri mais de seis quilômetros sem razão alguma.
Em meio a tudo isso, senti as mudanças. Mudei minha visão de mundo, minhas atitudes em meio a uma rotina cada vez mais pesada e com mudanças fortes no cotidiano. No meio do caminho, tive dias difíceis, alguns que foram verdadeiras provas de fogo, mas que dessa vez foram apenas buracos no caminho, me afetando bem menos como nos anos anteriores.
O fato é que esses dois dias de desaceleração foram importantes para colocar algumas coisas em perspectiva e tentar colocar outras nos eixos para o ano que está entrando. De alguma maneira, 2018 será bem diferente.
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