Devo ser uma das únicas pessoas da terra que não curte bolos de aniversário, não importa se é o meu próprio bolo ou se é de qualquer um que esteja comemorando aleatoriamente, nunca consigo comer mais do que um pedaço, isso quando eu simplesmente não como.
Não é que eu não goste de bolos de maneira geral, pelo contrário, tem alguns tipos nos quais eu não viveria sem, tal qual o de cenoura com cobertura de chocolate, o de fubá, de nozes e outros daqueles de padaria que valem a pena cada mordida.
Mas bolos de aniversário fogem desse padrão simplista e entram em um patamar enjoativo. Eles são grandes, cheios de enrolação e costumam ter um ingrediente que me enjoa até a próxima geração: glacê.
Além de tudo, nos proporciona algumas situações constrangedoras.
Situação constrangedora: ato I – Fazer o que?
No ano passado, os meus coleguinhas de trabalho resolveram me fazer uma surpresa e eu fiquei deveras emocionado com aquilo tudo – não esperava de fato. Nesse dia ganhei presentes, tomamos muita cerveja e compraram um bolo, esse último, sem eu saber.
- Não precisava do bolo gente. – Não era aquele papo onde a pessoa se faz de humilde, realmente não precisava.
A mesa ficou lotada de pessoas, pegamos porções, bebemos muita cerveja e só saímos de lá quando já era bem tarde. O bolo? Tinha sobrado um pouco mais que a metade, já que ninguém comeu tanto assim. Eu próprio, não consegui matar mais do que dois pedaços, já estava ficando enjoado.
No final das contas o bolo ainda estava lá, parado no meio da mesa e ninguém se habilitou de levar.
- Cara, o bolo é seu, leva pra casa.
Não deu outra. Bêbado, cansado e com os presentes, ainda dei um jeito de levar um bolo a tiracolo. Não foi fácil, o trajeto me pareceu mais longo do que o habitual e no fim das contas eu entulhei o bolo na geladeira.
Eu não lembro o que aconteceu depois, sei que demorou alguns dias e o bolo já tinha acabado (sem que eu comesse)

Situação constrangedora: ato II – Quando você não quer, mas...
Adoro aniversário de amigos, gosto de ver eles se divertindo e curtindo o momento deles e é extremamente raro que eu aceite um pedaço de bolo (desses de glacê). Mas por mais que seja um ato de gentileza, fico desconcertado quando vejo um pedaço de bolo na minha frente quando estou sem vontade.
A primeira coisa que entra no meu pensamento é a pessoa ao lado e observo se ela quer o bolo. Se tal pessoa comeu muito rápido, eu ofereço meu pedaço de maneira rápida e sigo a vida. Caso isso não aconteça, volto a estaca zero da parte de não saber o que fazer.
Em baladas tudo fica tranquilo, você escapa de bolos com naturalidade, basta estar com uma cerveja (ou qualquer coisa alcoólica) na mão. No ambiente corporativo em compensação, as pessoas colocam o bolo na sua mesa (mesmo se você sequer conversa com o aniversariante) e isso é ainda pior, porque você é surpreendido. Nas raras vezes que a pessoa aparece, ela costuma teimar:
- Marquinhos, você quer bolo?
- Não, obrigado.
- Pega esse bolo, tá gostoso.
- Não, obrigado.
- Vou deixar aqui em cima.
- ...
E assim criamos esses círculos do constrangimento.
Situação constrangedora: ato III – Ah, a família!
Dizer não pra bolos em família funciona como uma sentença de morte. No meu caso, quase sempre rola um bolo quando tem aniversário de alguém da família e quase sempre são esses bolos enjoativos. Embora eu sempre diga na lata que detesto esse tipo de bolo, eles insistem que eu tenha que ajudar a comer.
Vão mais além, fazem aquela cara de desapontamento e quando é meu próprio aniversário, acham que estou desdenhando deles.
Dá raiva, eu sei.
In the end...
Caras, embora a experiência pessoal sobre meus últimos aniversários não tenham sido as melhores, eu até gosto dos climas de aniversário. Encaro salgadinhos, adoro a companhia das pessoas e sobre aniversários em geral, acho excelente o fato da pessoa curtir realmente o seu dia, mas detesto muito o fuckin’ bolo enjoativo. Não vejo sentido pra existência disso.
Bom, meu aniversário não está muito longe, então pode ser o seguinte: podemos ficar na cerveja, nas batatas fritas e somente a companhia já me deixa feliz. Se inventarem com bolos, que sejam os de fubá mesmo ou aqueles muffins marotos, mas não me venham com bolos de confeitaria no qual eu não irei comer (e creio que nem vocês), estamos combinados?
Não deprecio as atitudes de quem faz isso – pelo contrário, estão sendo gentis mesmo – e quem gosta disso tem mais é que continuar mesmo. A birra no caso é com a espécie do bolo e em caráter pessoal.
Nega Maluca, salgadinhos, docinhos e muita cerveja!
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