quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Burning stuff

Outubro de 2005, o dia exato eu não me lembro, sei apenas que foi em uma quarta e eu estava me preparando para a última feira cultural do colégio. Embora minha empolgação estivesse baixa, eu estava ensaiando com afinco pra apresentação final. O que eu não contava, é que aquela noite seria diferente.

Era apenas mais uma noite pacata, típica 19 horas de um adolescente de 17 anos. E tudo aquilo que eu estava fazendo sofreu uma severa interrupção.

- FOGO, TÁ PEGANDO FOGO NAQUELE APARTAMENTO.

E eu pensando “mas que porra é essa, não tão exagerando não?”.

Alguns gritos a mais aconteceram e já irritado com a interrupção fui até a janela ver o que acontecia. Era verdade, o apartamento do prédio da frente estava pegando fogo.

- Caralho, tá realmente pegando fogo. Já chamaram os bombeiros?

- Já sim, mas enquanto isso vamos sair daqui.

O responsável por fazer um churrasco de mobílias era um rapaz problemático que tinha envolvimento com drogas (sempre elas Manolo, sempre elas). A piadinha óbvia do “definitivamente ele queimou tudo até a última ponta” era inapropriada, mas caiu como uma luva na ocasião. Depois disso, o meliante se mandou e nunca mais ninguém teve notícias (ainda bem) do indivíduo. Felizmente, o fogo ficou restrito ao apartamento e não afetou (muito) o restante.

Mas naquele momento, a minha idéia era esperar até tudo ser normalizado. Retardado como eu sou, eu estava esperando a chegada do Spider-Man, que isolaria o local com teias de aranhas e diria que é o amigo da vizinhança.

Entretanto, descemos e tentamos sair dali, mas em instantes a rua estava fechada pelos carros de bombeiros e não tínhamos como sair. Traduzindo, vimos tudo acontecendo in-loco, estilo Hollywood. Parecia final de Copa, todo mundo estava lá no térreo observando.

Naquela altura do campeonato eu já sabia que o Spider-Man não iria pousar lá, mas os bombeiros amenizaram tudo.

Nisso tudo, com as coisas já sob-controle (tudo não passou de um susto), eu comecei a sentir um tédio tremendo e finalmente encontrei o povo da minha idade. Estávamos todos uns verdadeiros mendigos, sendo que eu estava com uma blusa furada e uma toca pra esconder os meus, então compridos, cabelos. Outro amigo (e daqueles headbangers ferrenhos) que estava presente estava com uma camiseta furada e pantufas (!) enquanto o último estava com uma espécie de capa de chuva. O incêndio despertou o que há de menos fashion nesse planeta.

E como eu estava numa fase completamente nonsense, cheguei em uma das minhas amigas, que estava preocupada com seus gatos de estimação e comecei a falar com ela:

- Bem, agora que parece mais de boa, vamos aproveitar a ocasião e tomar uma cerveja?

- O que? Todo mundo assustado e você quer cerveja? – Ela tinha razão em questionar a minha completa falta de noção daquele instante.

- Mas beber ajuda a relaxar oras.

Mas não demorou muito e tudo voltou a normalidade, mesmo que o ensaio para a feira cultural tenha sido comprometido.

Depois desse incidente e dos comentários imbecis que fiz na ocasião, o andar do ocorrido ficou coberto de fuligem por meses, parecia uma caverna e tinha cheiro de churrasco que passou do ponto. Demorou muito tempo até consertarem tudo e outra família estar por lá. Hoje a situação está normalizada, mas eu ainda olho pro local e me recordo do episódio.

E foi assim que aconteceu um dos fatos mais bizarros década passada.

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