quarta-feira, 22 de julho de 2015

Evernote e o metrô

Todos os dias faço um percurso de metrô que dura mais de duas horas. Como praticamente atravesso essa megalópole maluca que é São Paulo, acabei aprendendo todos os pontos onde o metrô lota, qual momento é propício para ir sentado e como posso aproveitar essas duas horas dentro de um trem - ida e volta - sendo que muitas vezes estou cercado por diversas pessoas ao ponto de mal conseguir me mexer. Isso deixando de fora as musicas que ouço nesse tempo.

Por anos, minha primeira opção de aproveitar o tempo no metrô residiu na leitura. Não importava o gênero do livro, fazia questão de carregar sempre um comigo. Mas a absorção do conteúdo é sensivelmente menor em relação aos outros locais por conta das distrações ao redor, das freadas bruscas, das transferências de linhas que interrompem a linha de raciocínio e às vezes pelo próprio esgotamento físico inerente a um fim do dia. Cheguei a um ponto onde vi que pouco ou nada progredia no entendimento do livro e assim vi que não era uma boa ideia insistir com isso, reservando minhas leituras para outros horários.

Paralelamente, também tentei desenvolver conteúdos escritos durante o meu trajeto, mas padeci do mesmo problema: inconstância na linha de raciocínio, metrô que sacoleja em excesso e evita que eu possa escrever com mais esmero, interrupções e lotação. Isso sem contar que ainda tinha que reescrever tudo no computador quando alguma linha de raciocínio ia adiante. Muitas vezes uma boa ideia para texto morria, literalmente, no meio do caminho - por vezes fazia apenas notas curtas, mas era mais difícil sair algo dali, tanto que até hoje tenho ideias de temas nesse formato, mas nada de sair do papel.

Depois de um tempo desencanado e usando esse tempo ocioso apenas para jogos "Arcade" para celular (algo que só dá dor de cabeça), instalei o Evernote no celular e uni o que para mim era o melhor dos mundos: podia escrever até com o metrô sacudindo como liquidificador, não sinto mais a obrigação de levar um caderno para todos os lugares - talvez aulas, mas só - e sinto que o tempo voa quando desenvolvo uma ideia, o que melhora muito o trajeto longo por São Paulo.

A outra grande vantagem desse aplicativo em minha vida é que não preciso digitar tudo novamente, pois tudo que escrevo vai para a nuvem, separado por cadernos de minha escolha (esse texto, por exemplo, está em um caderno chamado "textos no caminho"). Basta uma simples sincronização e o texto está na tela grande para ler e efetuar um ou outro ajuste antes de postar em algum lugar (redes sociais, blogs e afins).

Nos últimos meses senti dificuldades para fazer postagens em meus blogs justamente por todos os fatores citados acima. Mas se o Evernote de PC já era muito útil para mim no passado, seu complemento em forma de aplicativo se mostrou ainda mais vantajoso. Essa postagem mesmo é um exemplo de tudo que escrevi acima, pois desenvolvi esse texto inteiro dentro da malha metroviária de São Paulo.

Mas, como coloquei uma meta de pelo menos um texto por semana, acredito que o Evernote será um dos meus melhores amigos.

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