terça-feira, 28 de julho de 2015

Um ano sem Twitter e as redes que restaram

No final da tarde de 28 de julho de 2014, uma segunda-feira normal como as outras, decidi implodir minha conta no Twitter após cinco anos de uso intenso, mais de 25 mil tweets, diversos momentos de boa interação, tiradas engraçadas e exploração da rede para seguir canais que gostava. Entretanto, os lados brilhantes da ferramenta - que são muitos - foram eclipsados pelos usuários, cada vez mais neuróticos e cada vez menos respeitosos. O ambiente ficou tóxico ao ponto de me prejudicar física e mentalmente. Contou (e muito) também o fato de na época ainda estar lutando contra uma depressão de longa data, apesar de na época estar muito melhor e bem longe do inferno de 2013 - mas ainda não me sentia forte o suficiente e tinha em mim que qualquer fagulha negativa me jogaria na estaca zero.

Deletei a conta após pensar muito a respeito, vinha hesitando por meses, inclusive passando um mês sem sequer fazer login em todas as minhas redes vigentes (mais sobre isso adiante), mas logo após a Copa do Mundo decidi fechar esse livro da minha vida de vez.

E se eu disser que não senti (e ainda sinto) falta das coisas boas do Twitter, estaria enganando a mim mesmo, pois diversas vezes pensei em voltar e recomeçar essa jornada do zero, com interações novas, mais calejado e sabendo os buracos que devo evitar para poder construir um ambiente virtual mais saudável. Mas no geral, vivi bem sem a ferramenta no último ano e os momentos que sinto vontade de voltar são cada vez mais esparsos. Acredito que, ao menos hoje, o tempo que eu supostamente ficaria na ferramenta atrapalharia demais o andamento do meu cotidiano - mas posso queimar minha língua e voltar a qualquer momento, não sei como será o dia de amanhã.

Sem o Twitter, a única rede social que mantenho ativa (mas não tanto) é o Facebook, outra rede que usava bastante, mas que consegui dosar bem o uso durante 2014. Nesse caso específico, meu uso era ainda pior pois muitas vezes entrava e ficava procurando por coisas que nem eu sabia, não achava e pouco tempo depois voltava a procurar tudo de novo, perdendo um tempo precioso.

Depois de ficar um longo período sem me conectar ao Facebook e notar uma melhora substancial na minha produtividade, voltei a usar, mas dessa vez com muito mais esmero, utilizando bem as ferramentas disponíveis, moldando o meu feed de modo bem sucinto, virando muito mais um clipping das notícias de páginas que curto. Sobraram poucas pessoas na minha linha do tempo, afinal, a maioria das pessoas optaram por levantar bandeiras e alfinetar o próximo em detrimento de criar conteúdo ou participar de uma troca de ideias sobre assuntos mais leves - embora mesmo esses não estejam imunes a falta de noção que impera nas discussões online.

Não vou demonizar a rede do Zuca, pois se bem utilizada ela é excelente, mas os algoritmos do site deram um belo empurrão para que uma das gerações mais mimadas da história ficasse ainda pior, batendo o pé em praticamente todos os assuntos e optando sempre pela histeria. Claro, a culpa disso é exclusivamente das pessoas e agradeço ao Facebook por ter uma opção para ocultar as publicações - inclusive as minhas próprias (e poucas).

Apesar de usar redes sociais desde 2004, ainda tento entendê-las para tentar fazer delas um ambiente mais útil no cotidiano. E assim seguimos.

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