sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Hidden Treasures – A fita que nunca foi gravada

Nesta arrumação que dá prosseguimento a série sobre “itens preciosos” que por diversas razões ainda estão guardados, o objeto da vez é uma fita de gravação em VHS que ainda está em branco. Comprei essa fita em maio de 2006 e ela só está virando um texto por pura burrice da minha parte na época em que a fita foi comprada.

2006 foi um ano complicadíssimo. Por mais que os dois primeiros meses tenham sido sensacionais, o restante do ano foi uma lástima, com apenas bons momentos isolados. Nesse ano veio a faculdade, as alegrias remotas e as decepções em baciada. E faltava jogo de cintura da minha parte.

Paralelamente as mudanças que a vida impôs, os trabalhos da faculdade começavam a efervescer: edição do documentário sobre Santo Antônio do Pinhal, gravação de uma propaganda sobre um produto aleatório e uma pretensa monografia individual para a aula de filosofia. Este último trabalho foi batizado “carinhosamente” de “mamografia” - afinal, maturidade aos 18 anos inexiste, né?

Se a “mamografia” foi o trabalho mais chato daquele semestre – quiçá dos 4 anos que estivemos por lá -, a propaganda sobre um produto aleatório exigiu engenhosidade dos grupos. Para começar, ainda éramos tecnicamente “verdes” e a não ser que a pessoa já tivesse um conhecimento prévio sobre ferramentas gráficas e montagens de storyboards, o negócio seria usar a criatividade em detrimento da técnica. Ponto para os professores nessa, pois criatividade é algo inerente ao curso de publicidade (ou pelo menos deveria ser) e eles conseguiram de fato extrair esse lado criativo de muitos alunos.

O grupo era o mesmo que fez o documentário para Santo Antônio do Pinhal e decidimos em consenso fazer uma propaganda sobre uma vodka com energético, o que era um produto inovador, afinal, em baladas isso é vendido separadamente.

Escrevemos o roteiro e desenhamos o rótulo da garrafa sem maiores dificuldades. Precisaríamos apenas transformar o desenho em adesivo para colar na garrafa. A tarefa seria bem mais fácil se soubéssemos utilizar programas gráficos, mas como não sabíamos, teríamos que achar alguém que transformasse nosso desenho em vetor e que imprimisse em adesivos posteriormente.

Depois de uma pequena procura, achei uma gráfica dentro do Shopping D que fazia esse trabalho. Felizmente não foi caro (R$ 15,00) e em dois dias já tínhamos os adesivos em mãos. Também tínhamos definido a localização da filmagem para a região da Avenida Paulista e a câmera reservada para o domingo. Restava apenas comprar uma fita virgem para realizarmos a gravação.

No sábado fui comprar essa fita em uma dessas lojas de shopping que tem foco em fotografia e imagem. Sem saber nada sobre filmadoras, restou apenas perguntar para a atendente da loja qual tipo de fita era necessária para realizar filmagens. Eu conhecia apenas a fita em branco que era usada para gravar vídeos dos canais de TV com o aparelho de VHS.

Ela me apontou uma fita com um formato bem menor do que o habitual. Desconfiei um pouco, mas eu já sabia que o prédio de comunicação da faculdade tinha uma boa sala para edição de vídeos e que aceitava fitas de diversos formatos. Arrisquei a compra convicto de que essa era a fita certa.

No dia seguinte rumei até a região da Paulista com a minha parte pronta: fita e adesivos a postos. O restante do grupo viria de carro e com a câmera.

Assim que entreguei as coisas para o responsável pela câmera, tive a má notícia:

- Não era esse tipo de fita.

- Mas essa fita é de gravação, que raios de câmera é essa e que tipo de fita é pra colocar então?

- Fita normal, de VHS. 

Ao mesmo tempo em que estava nervoso, me senti um burro. Nem tanto pela escolha do formato da fita, mas por eu não ter considerado a hipótese de ser de outro formato. Erro primário da minha parte ao não pensar em “plano B”.

Então começamos a correr pela Av. Paulista em busca de lojas que vendiam fitas de VHS normais. Em uma época em que o DVD já estava bem difundido, a missão já não era tão simples assim, mas como se tratava da avenida com mais opções dentro de São Paulo, achamos e prosseguimos com a filmagem. O resultado final foi razoável, nada profissional e tampouco memorável – não lembro nem do nome do produto que fizemos -, mas era criativo.

Sem saber o que fazer com a fita menor, trouxe de volta e guardei na remota esperança de que talvez fosse útil para trabalhos futuros. Não passou nem perto disso. Provavelmente nunca será, afinal, a tecnologia relativa as filmagens melhorou bastante e o armazenamento das filmagens é feito com espaços que lembram mini HD's.

Durante um bom tempo eu sequer lembrava da existência dessa fita, até acha-la perdida no armário, o que fez com que me lembrasse novamente do processo de um trabalho nem um pouco memorável.

Em contrapartida, penso que achar essa fita me fez lembrar de mais um tapa que tomei em relação a trabalhos que me ajudou a amadurecer. Com 18 anos eu era moleque, adolescente que ganhou responsabilidades a mais e ao entrar na faculdade com mentalidade de colégio, ficou sem saber como lidar em situações específicas. Os trabalhos vieram e as pancadas vieram fortes, com erros - alguns primários como esse da fita – e uma obrigação de crescer as pressas. Os trabalhos do primeiro semestre da faculdade serviram para me preparar para os semestres seguintes, onde a pressão aumentaria gradativamente.

A fita continuará guardada. Será uma espécie de relíquia que me lembrará de que para crescer, às vezes errar faz parte, mas que em nenhum momento isso deve me abater, que devo seguir sempre forte, considerando sempre possibilidades e analisando as coisas com calma para evitar que os erros aconteçam.

Em 2012 ela continua do mesmo jeito que em 2006: sem nada gravado.

2 comentários:

  1. Quem nunca passou por essas aventuras na hora de fazer um trabalho da faculdade. Eu já passei várias!
    Me arrependo de não ter entrado na faculdade mais cedo, assim como vc, amadurecer ao mesmo tempo em que se forma. Mas ainda sim tenho lá minha boas histórias pra contar =p


    Até o próximo post da série!

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  2. No primeiro ano então nem se fala. Aquele ano foi terrível, mas valeu pela experiência, hehe.

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