terça-feira, 9 de outubro de 2012

Quem canta, os males espanta. Ou não.

No post anterior eu escrevi sobre um raro diálogo interessante que aconteceu dentro dos limites do metrô paulista. Na sequência do ocorrido relatado, encontrei a minha amiga e rumamos para o aniversário de uma amiga que aconteceria no Coconut, um bar localizado na Santa Cecília e que possui várias salas com videokes.

Não estou acostumado a participar de programas que envolvam videokes e tampouco costumo cantar quanto tem música nos lugares. A última vez que participei de um programa similar foi em maio, quando eu e uns amigos fomos para uma choperia na Liberdade que também tinha videoke, mas na ocasião não quis cantar, preferi apenas disputar partidas de sinuca e beber cerveja tranquilamente. Nada de anormal.

Passei a semana inteira com dúvidas se iria ou não, mas como se tratava de um programa mais light, topei. Ainda planejei ir para outro aniversário na sequência e sair do local antes do metrô fechar, mas a pessoa que eu iria cancelou e logo abortei a ideia de ir a dois lugares diferentes.

Eu não conhecia o Coconut, logo, me espantei pelo tamanho, pela lotação e pela quantidade de salas que o local possuía. A sala que ficamos estava completamente lotada e abafada, não tinha como me mexer sem esbarrar nas pessoas e o ar condicionado soava insuficiente para tantas pessoas espremidas ali. Lotação de lugares em modo geral é algo que me deixa meio perturbado, já que uma das coisas que mais detesto é esbarrar em pessoas a todo instante para me locomover.

Passada a fase de adaptação com a lotação e com a saída de pessoas que queriam pegar o metrô antes de fechar, resolvi pedir a primeira cerveja, mas não imaginava que daria tanto trabalho para que ela chegasse a minhas mãos. Fui até o bar – ou ao menos o que deveria ser.

- Só pode pedir coisas com a pessoa que fica dentro da sala.

Complicou. A sala estava lotada e até achar uma pessoa com uma camiseta de “staff” seria uma missão difícil. Então novamente passei pelo processo de esbarrar e pedir desculpas para as pessoas até chegar à garota e pedir a cerveja.

- É só aqui que podemos pedir bebida?

- Sim, só comigo mesmo.

- Bom, então me vê uma long-neck de Brahma.

- Ok.

Achei o procedimento bem grotesco. Era apenas uma pessoa para atender uma sala grande e lotada. Tinha ficado bem claro que os pedidos – seja lá de quem fosse – iriam demorar bastante para chegar.

Não deu outra: tinha passado meia hora e nada da minha cerveja chegar. Naquela altura minha boca já estava seca e eu bem irritado. Dirigi-me até a menina e questionei novamente o porquê de não poder pedir cerveja no bar, algo que todo lugar tem e que certamente facilitaria o lado dela por não receber cobranças a todo instante sobre a demora da cerveja a cada 10 minutos. Facilitaria o meu lado também, que pelo tempo passado, provavelmente já estaria na terceira rodada e bem mais tranquilo.

Ainda deu tempo de sair da sala umas 3 vezes para pegar um ar na área de fumantes. Quando voltei vi a moça que atendia a sala no bar e não me contive.

- Olha, já estamos aqui, podemos pegar a cerveja? Facilitaria pra todos.

- Moço, não posso, eles tem que liberar os pedidos. – Como se fazia isso era um mistério, para mim isso tudo estava sendo muito mal feito.

Quando finalmente a cerveja  chegou, tratei de pedir logo a segunda, porque não sabia quanto tempo iria demorar para que chegasse novamente. Isso, claro, gerou uma pequena tensão comigo e a atendente. Não precisava disso. Enquanto tiver esse método tosco de um atendente para uma sala inteira lotada de pessoas, outros focos de insatisfação devem ocorrer.

Tensão relativa ao atendimento bizarro a parte, era hora de ver como as pessoas estavam cantando. Desde que me entendo por gente, as músicas cantadas no videoke são sempre as mesmas, o que me faz pensar que as pessoas não saíram dos anos 90 – e pelo visto nunca sairão.

Não existe um videoke que eu vá, pequeno ou grande, que não tenha pessoas cantando Kid Abelha e fazendo a maldita improvisação no refrão “fazer amor de madrugada”. É um clichê antigo que pelo visto vai durar até essa geração se dissipar de vez. Naquele momento eu fiquei rindo e pensando coisas como “se eu for candidato a algo, proíbo essa improvisação marota sem pensar duas vezes”.

Mesmo com tudo isso ainda estava bem divertido. A última vez que eu havia assumido o microfone em um videoke foi 2008, na casa de uma ex-colega de trabalho. Era aniversário dela, mas na ocasião eu bebi varias latas de cerveja antes de me atrever a cantar e o resultado foi o mais pavoroso possível. Desde então, nas raras vezes que vejo um videoke, mantenho uma postura mais comedida.

Porém, dessa vez resolvi fazer diferente em relação às últimas incursões. Deixei a timidez de lado e resolvi cantar algumas músicas nas quais achei que poderia ter um bom desempenho. Cantei Unwell, do Matchbox 20, Angels do Robbie Willians e Quit Playing Games With My Heart do Backstreet Boys. Em nenhuma tive um desempenho excepcional. Tampouco achei que estava mostrando uma presença de palco marcante, mas foi divertido, ao menos não travei como costumava fazer em situações similares.

Ok, eu preferia algo que fosse mais “rock”, mas aparentemente a RAF Electronics não gosta muito de fazer versões midi de músicas mais pesadas. Convenhamos, eu também acharia estranho ver Symphony of Destruction remixado para videokes.

E foi assim até chegarmos ao fim da noite, que apesar dos contratempos no atendimento e da lotação inicial, foi bem divertida, com pessoas legais e risadas durante boa parte do tempo.

É muito bom saber que não tenho mais problemas com microfones.

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