Essa história começou por volta de julho, quando o time de corridas do trabalho começou a sair do papel. Como já realizo exercícios físicos com alta frequência, minha decisão de entrar na equipe não foi difícil, bastava apenas dividir melhor os exercícios de musculação e aeróbico para não sentir um descompasso no condicionamento físico. Meu objetivo sempre foi hipertrofia, mas com bom desempenho também em corridas. Como a balança sempre pendeu para apenas um lado, entre outubro e novembro resolvi fazer um movimento mais ousado: corridas de manhã e musculação à noite. Funcionou bem por um bom tempo, mas em dezembro senti um esgotamento. Voltaremos ao tópico em outro parágrafo.
Em setembro apareceu a primeira inscrição para uma prova de rua, meu início deveria ser ali, mas a corrida aconteceria no dia seguinte ao show do Muse, que aconteceu na noite de 24 de outubro. Na época considerei a hipótese de que voltaria do show mais moído que farofa e que uma corrida às 07h do dia seguinte apenas me estragaria fisicamente e mentalmente. Não voltei do show destruído como imaginava previamente, mas voltei tarde e não teria o descanso necessário para a prova. Ficaria para a próxima. Mas nesse meio tempo, minhas atividades físicas se intensificaram, com treinos em dois períodos.
No início de novembro surgiu uma nova inscrição para o que seria a última prova de corrida do escritório de 2015 enquanto equipe. Era o Circuito das Estações - Etapa Verão. Antes disso, comprei tênis novos com atenção especial para absorção de impactos e próprio para corridas, algo que nunca tinha feito antes - sempre corri com o primeiro tênis que via pela frente, o que agredia meu tornozelo. Uma vez inscrito, meus treinos continuaram fortes, pelo menos até o final de novembro.
Voltando ao tópico do segundo parágrafo, veio dezembro e toda a disciplina em relação a horários de sono, alimentação e treinos foi para o ralo no dia 02 de dezembro, com a final da Copa do Brasil. Na sequência, alguns happy hours regados de cerveja e whisky e o esgotamento físico e mental de fim de ano me fizeram perder a passada - até continuei fazendo os exercícios e me alimentando de maneira correta, mas sem a intensidade de antes. Se antes estava tranquilo em relação ao meu desempenho na minha primeira corrida de rua, na semana da prova fiquei desconfiado se conseguiria um bom tempo. Mas essa é uma história onde só tive boas surpresas.
A maior surpresa foi ao ver a quantidade de pessoas que se inscreveram para a corrida. Quando me dirigi para a retirada do kit no shopping West Plaza, não imaginava que veria uma fila extensa de pessoas que estavam ali para a mesma coisa. Foi uma surpresa bem positiva, tanto que nem reclamei da fila naquele instante - até porque o atendimento foi bem rápido. Achei fascinante ver que muita gente também iria correr aquela prova e que isso não era uma coisa restrita a um público específico e isso foi corroborado no momento que pisei na Praça Charles Muller e vi uma multidão que acordou bem cedo na manhã de domingo para correr.
Após demorar um pouco para achar a tenda que a minha equipe se encontrava, retirei meu chip e me dirigi para a largada. Não senti o famoso nervosismo de "primeira vez", nem o medo de que o condicionamento físico fosse falhar. Me senti bem como em outubro e novembro e apenas deixei minha mente limpa a cada passada.
Quando comecei a correr, tudo fluiu muito bem. Eu já conhecia a Avenida Pacaembu por outras jornadas, mas nunca tinha feito aquele trajeto correndo, logo, foi uma outra surpresa perceber que em poucos instantes eu já estava passando por baixo do Elevado e sem perder o ritmo. Ainda teve uma subida que exigiu um pouco da panturrilha, mas logo veio a reta para o caminho de volta para a Charles Muller e, em 29 minutos, completei todo o percurso. Exaurido, mas contente com o desempenho, ainda mais sabendo que dezembro tinha sido um mês bem irregular na parte física.
Ainda passei um tempo na barraca, tomando isotônico e repondo proteínas que a assessoria da equipe nos forneceu, mas não quis sair dali tão cedo, além do cansaço físico, estava estático de alegria. Realizar essa corrida me trouxe uma felicidade sincera e me deu a certeza de que nunca é tarde para "primeiras vezes". Definitivamente quero participar de corridas com mais frequência, mesmo que não sejam percursos mais longos. Valeu a pena acordar no meio da madrugada para participar dessa prova.

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