Enquanto estava acordado e sozinho, vivia me perguntando o porquê de tudo que acontecia - para bem ou para mal -, tentava entender qual era meu papel na vida e se meus sonhos e objetivos faziam algum sentido. Eram reflexões que, de alguma maneira, me deixavam sem qualquer tipo de norte, completamente perdido. A solução para não pensar nisso? Acabei me jogando em um mar de distrações.
Inicialmente, essas distrações funcionaram muito bem. Qualquer desculpa era suficiente para ir à baladas, bares, estádio, videogames, filmes, qualquer coisa que fosse, qualquer horário que fosse e com o máximo de pessoas possíveis. E naquele momento deu certo, consegui desligar minha mente em diversos momentos e a energia ao redor era a melhor possível. A minha lembrança é que os sorrisos de fato eram sinceros e as conversas com as pessoas fluíam. Entretanto, por dentro, o sentimento de que tudo o que fazia era algo sem resposta continuava e me fazia pensar, piorando a situação nos momentos que estava sozinho - mas ainda mantendo as coisas normais para o mundo exterior. Me sentia sempre inferior, errado e não me atrevia de falar com as pessoas a respeito com medo de ouvir que era "viadagem" ou "é apenas um dia ruim". E a pior coisa do mundo é estar mal sem saber o porquê e ter que se calar por conta disso, por isso que naquele ano direcionei meu foco para todos os lados, como uma roleta russa.
Na época rechacei qualquer tipo de recaída na depressão, achava que tudo tinha passado após a terapia que durou quase um semestre durante 2011. Não admitia que isso poderia voltar, acreditava que era por falta de alguém para ter um relacionamento mais duradouro - o futuro não tão distante me mostrou que estava enganado sobre isso - ou por alguma outra coisa que eu não sabia responder. E meu medo de falar para as pessoas que estava mal era grande, tudo o que queria era deixar o ambiente melhor e para isso eu tinha que estar bem, ou ao menos aparentar isso.
Mesmo com a insônia, ansiedade e escondendo tudo o que sentia, as coisas ainda funcionavam mais ou menos como eu planejava e assim consegui cumprir um dos meus objetivos mais antigos: fazer um intercâmbio e conhecer a cidade onde meu avô cresceu, na Itália. Foram as raras noites onde consegui dormir bem e apenas dois meses onde me senti realmente confortável dentro da minha casca - talvez por estar longe de tudo e todos que finalmente me senti livre para ser eu mesmo, o que é uma explicação plausível.
Mas uma hora fica difícil de disfarçar as dores e as angústias. E isso gera perdas, consequências. Coisas que falarei mais no próximo texto.
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