Um dos meus maiores erros foi acreditar que a depressão vai e não volta mais. Ledo engano. A depressão nunca vai embora em definitivo e percebi que simples apertadas no gatilho eram capazes de me jogar para um buraco de novo.
Após passar por um 2013 terrível, o ano de 2014 foi sensivelmente melhor: houve certa evolução pessoal, mantive uma harmonia boa entre corpo e mente graças a boa combinação de meditação e exercícios, minhas técnicas profissionais melhoraram - muito do que aprendi em 2014 foi usado posteriormente -, minha concentração também foi alavancada e percebi que conseguia viver sem coisas que antes eram automáticas na minha vida, como álcool - fiquei mais de um ano sem beber. Isso sem contar que minhas leituras melhoraram, meus textos fluíram com mais facilidade e surgiu um interesse em uma área nova para mim: psicologia - passar por tudo isso despertou em mim a curiosidade em entender o funcionamento do cérebro humano e os comportamentos de modo geral. De algum modo, me sentia bem menos vulnerável do que antes.
Isso tudo, porém, não apagou o fato de que foi um dos anos mais solitários da minha vida. Apesar de ter melhorado significativamente minha relação interna e meu amor próprio, não conheci muitas pessoas ao longo do ano - se já não era a pessoa mais sociável do mundo antes, nesse período a aversão ao "networking" atingiu um novo patamar. Com quem era próximo, ainda consegui manter as coisas dentro da "normalidade" (contatos esporádicos), mas a solidão se fez presente e, mais para a frente, foi um gatilho para recaída.
Paralelamente, minha vida profissional foi ruim em 2014. Embora tenha aprendido coisas importantes e esteja colhendo bons frutos até hoje, o presente da época era de medo e desolação, mesmo com todo esforço dispendido ao longo do ano. Hoje percebo que a falta de relacionamento com as pessoas, que ficou muito latente nesses anos, também foi um dos fatores decisivos para que esse ano tenha sido o do "quase".
Com esses gatilhos praticamente disparados, virei o ano e tive uma recaída severa: passei grande parte de janeiro letárgico, assistindo series, quase sem sair de casa, sem mover um sapato do lugar e demonstrando um desânimo enorme. Até os exercícios físicos, que estavam funcionando, foram abandonados. Felizmente, em fevereiro as coisas mudaram para mim e o rumo do ano foi outro, muito melhor do que começou, mas isso não quer dizer que não tive recaídas.
Sim, elas acontecem. Não à todo instante como antes, mas incomodam, por mais que saibamos como remediá-las. Por outro lado, saber que esse é um problema recorrente ajuda a me manter alerta e me deixa um passo adiante no que diz respeito a reações e prevenções para próximas situações.
Não tem fim? Talvez não, mas saber o que você enfrenta para ter uma vida melhor já ajuda muito.
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