Hoje estamos em uma noite de domingo e o frio é incomum para um novembro no Brasil. Em meio a isso, estou com a música "Speak to Me", da Amy Lee, tocando no meu Spotify. Em 2017 ela já tinha sido uma das três mais executadas. A letra dela, de cunho otimista e positiva, em meio a uma atmosfera etérea, me faz pensar muito sobre reencontros e como estamos a uma respiração distante de alguma coisa. Me faz pensar sobre como as coisas não durarem para sempre, mas também abre um pouco a esperança de reencontrar algo ou alguém em outro plano, mais leve, menos caótico do que esse que vivemos atualmente.
Na sequência, a música "Fix You", do Coldplay, começa a tocar na minha playlist. Apesar de não gostar da banda em si, a música é muito especial e foi extremamente importante para motivar uma reconstrução pessoal em um período onde as coisas só pareciam piorar. Sempre que a ouço percebo que posso e consigo corrigir a rota nos momentos que as coisas me parecem bem escuras, como no início desse ano ou mesmo agora, cuja luta é para não ter novas recaídas na síndrome do pânico.
Mais adiante, toca a música "The Ressurection Stone", composta por Alexandre Desplat para o filme Harry Potter and the Deathly Hallows - Pt.2. Tanto na parte literária quanto na cinematográfica, a série possui uma importância ímpar na minha vida. Cresci lendo os livros e vendo os filmes e a trilha sonora orquestrada para cada um dos oito filmes produzidos tem um lugar especial no meu coração. Esse pedaço foi composto para a cena em que Harry se resigna com o sacrifício que terá que fazer com sua própria vida, mas antes utiliza a pedra da ressurreição para encontrar algumas das pessoas amadas que perdeu por uma última vez, dando palavras de conforto para ele enquanto caminhava para seu fim. Sintetiza muito a coragem de Harry em encarar algo que todos tememos para poder salvar um universo.
E espero que sintetize a coragem em mim em encarar todos meus demônios, que insistem em aparecer.
Sempre achei que as músicas são uma extensão de quem somos, tanto na hora de produzir quanto na de consumir. Hoje deixo essas músicas contarem um pouco sobre meu momento e como elas se encaixam no meu contexto.
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