Ele admira fins de tardes e naquela terça-feira, não era diferente. Eram 17h e o sol já estava prestes a sair do horizonte. Nesse horário, as pessoas costumam sair do trabalho e voltam para suas vidas habituais, mas, por conta de algumas tarefas mais urgentes, ele não tinha hora exata para ir embora, como era uma constante na vida adulta dele, já além dos trinta anos.
Ele sempre admirou São Paulo. Não exatamente a população, o trânsito constante ou os inúmeros problemas da maior metrópole brasileira, mas a amplitude da mesma, o potencial que ela tem em diversas frentes, especialmente a cultural, de transportes e arquitetônica. Ele enxergava beleza em coisas tolas, como as estações de metrô em formatos de espaçonaves, como as da Linha Lilás. Do alto da janela do trabalho, em uma posição privilegiada de São Paulo, ele conseguia ver uma porção enorme da cidade, com diversos prédios no horizonte, um cobrindo o outro, que cobria milhões de pessoas, fazendo a economia girar.
Por cinco minutos, ele parou ali, com um café na mão e viu o movimento de uma metrópole gigantesca acontecer. Diversos carros passando sem parar, pessoas saindo dos prédios em que trabalham e rumando para seus lares ou indo para algum outro compromisso. Ele observava em silêncio, imaginava uma mãe que trabalhou por horas voltando para casa para encontrar seus filhos, completamente cansada, mas com uma alegria interior em ver que as crianças estão bem. Imaginou um jovem rapaz que saiu de seu estágio e fez sua corrida para chegar na faculdade. Com sorte, ele não pegaria trânsito ou metrô com problemas. Ficou torcendo pelo garoto, ainda novo, para que não desistisse no caminho, para que não seja engolido por todos os problemas inerentes de uma cidade grande.
Em silêncio e tomando seu café, ele olhou as coisas se movimentando com uma rapidez que ele não dá conta e que, de certa forma, o assusta. Em cinco minutos, um mundo inteiro aconteceu ao redor dele. Cada gole de café era um beijo entre casais que se encontravam, um abraço entre amigos que se encontraram no bar, uma página de e-book que era lida na estação Parada Inglesa, alguém irritado pelo trânsito de pessoas na estação Consolação, era um diálogo entre desconhecidos no ônibus que percorria o corredor da Vereador José Diniz. Era uma combinação infinita de coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Ele terminou o café, fixou os olhos para o sol indo embora por uma última vez e voltou para a reta final de seu trabalho, pensando em como as coisas mudam muito rápido e que não tem controle de absolutamente nada do que acontece no mundo.
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