Existem momentos nada estratégicos pra que falte luz aonde quer que você esteja e essa semana esse tipo de momento me apareceu de um jeito bem (in)conveniente.
Não é segredo nenhum o fato de eu odiar o verão e seu tempo inconstante. O dia estava um verdadeiro microondas e isso pra quem usa social durante o dia incomoda bastante. De noite tivemos uma chuva torrencial típica dessa estação. E quando a chuva cai muito forte, falta luz em toda a região. Mas sabe que horas isso aconteceu? Na hora que eu estava chegando em casa.
A minha opção mais óbvia era pegar minhas trouxas e ir pra academia, mas eu estava realmente acabado, precisava tomar um banho antes mesmo de ir malhar, para me sentir mais revigorado. E nada garantia que a academia estava com luz, então descartei a ideia.
Então restava esperar. Eu precisava desesperadamente tomar um banho, um dia inteiro de calor impregnado no corpo tira a sua energia.
No final parti para o desespero e tomei a ducha mais gelada da minha vida, o que no caso nem foi tão ruim, porque estava calor, mas me deu um belo resfriado pro dia seguinte. Tomar banho gelado a luz de uma misera lanterna é complicado, é uma sensação estranha, parecia que eu pertencia à um filme B de terror com baixo orçamento.
Limpo e arrepiado até a espinha depois de tomar um banho congelante, não havia muito que fazer a não ser escutar Antena 1 (89fm, que saudades) até que a luz voltasse, academia àquela altura já nem ia adiantar, já era umas 22:00. Não tinha como ler também porque a lanterna despencou no banho e não consertou mais, não tinha como fazer mais nada e me encontrava no breu.
O duro é que eu tava com fome, muita fome. Quando a luz voltou, já pras 23 horas, a primeira coisa que fui fazer é cozinhar, algo trivial mesmo, pra matar a lombriga que me consumia. Mas a competência dos caras é tão grande que eles não fizeram isso de maneira definitiva.
Logo, com o spaghetti cozinhando, eis que...
- Porra, apagou de novo? – Exclamei em voz alta e sozinho, yeap, sozinho, o que prova que eu estar sozinho em casa as vezes é zica.
- Ronaldo! – Porque claro, tem sempre um bobo que não quer um doce e nem um real e grita da janela isso.
Me desesperei, eu estava em casa sozinho a luz do fogão e ao som do spaghetti cozinhando. Com a fome que eu tava, não fazia ideia de como iria tirar a panela, colocar molho, pimenta, queijo. Em suma: estava ferrado.
Daí do nada a luz voltou, aos 45 minutos do segundo tempo, evitando que a minha janta ficasse uma gororoba.
Não vou nem culpar os desastres naturais por ter perdido a noite, mas sim os fanfarrões da Eletropaulo.
Pelo menos a janta ficou boa.
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