quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Histórias do meu único título - A glória!

E chegamos ao ano de 2005.

Antes disso, rolou isso.
Naquela altura já nem ligávamos mais pros campeonatos externos, queríamos mais é que quem tivesse disputando perdesse e com todos os requintes de crueldade possíveis. Conta o fato ainda de ser época de vestibular, logo, eu estava bem mais preocupado em relação a carreira pós-colégio do que rivalidades bestas de futebol. Aparentemente, nosso tempo tinha acabado.

Mas quando o calendário se aproximou do período do campeonato interno, remontamos o nosso time e voltamos a jogar semanalmente em uma quadra do bairro. E desta vez, não estávamos mais para brincadeiras.

Não éramos populares enquanto classe. De fato, nossa sala foi uma das mais esquecíveis da história daquele colégio, então, nossa torcida se resumia à apenas 10 pessoas no máximo, sendo que eram da nossa sala e ainda daquele jeito, porque não gostávamos nem de nós mesmos. Nossa relação era essa mesma.

Do outro lado, os alunos eram populares no colégio inteiro. Alguns humildes e outros extremamente arrogantes, eram desses últimos que queríamos vingança a todo custo. Não falávamos abertamente, mas em nosso íntimo, a fúria era grande.


A nossa moral estava baixa pelo colégio inteiro. Me lembro claramente que um dos moleques da então oitava série disse “esses caras são uns bostas”. Só que o destino nos colocou eles como adversários, foi então que pensei: “hora de botar pra quebrar com esses filhos da puta”.

Ai você se lembra dos playboys que falei no texto anterior? As diferenças que alguns tinham ali foram postas de lado pelo mesmo desejo: vencer esse campeonato a todo custo. Como era a nossa última chance, esse lapso de união veio de bom grado e assim nos organizamos para finalmente vencer o que seria a chance derradeira de sair campeão ao menos uma vez do colégio. Era questão de honra.

E veio jogo contra os moleques da oitava série, que teve um falastrão que se meteu a insultar nosso time. Falar que foi massacre é ser gentil, eles conheceram o próprio Vietnã naqueles 20 minutos, os 12 x 2 ficaram barato e a quantidade de cacetada e trombada que esses moleques levaram foi algo fora de série. O mesmo moleque que disse que éramos "uns bostas" foi o que mais sofreu. Da minha parte, no mínimo uns 2 encontrões e uma esmagada violenta na parede lateral da quadra, podemos dizer que eu encarnei o Argel naquele dia. Como eu era cabeludo e tava com faixa, o espírito de Libertadores foi levado para a quadra.

Enfim, depois daquilo, iríamos encarar os mesmos folgados do ano anterior. Só que dessa vez entramos ligados o tempo inteiro. Eu entrei no decorrer do jogo – no dia anterior era feriado de 12 de outubro, plena quarta e teve o Live’n’Louder, 8 shows, cervejas e fechando com Scorpions, minhas pernas não iam estar inteiras né?

O jogo foi truncado, violento até. Mas abrimos 2 x 0 ainda no primeiro tempo e nos revezamos, tanto nas trocas de jogadores, quanto nas boas jogadas e até mesmo nas porradas distribuídas nesse time. Até tomamos um gol que nos assustou e gerou alguns momentos de tensão, mas foi perto do final e pelo nosso espírito, era a nossa vez.


E finalmente gritamos: é campeão!

(maestro, põe Queen na vitrola).

Pulei, mesmo com as pernas doendo impiedosamente, comemorei demais porque era meu primeiro título competindo por algo esportivamente - e último, já que não disputei mais nada após isso.

Foi um momento brega sublime, a música We Are The Champions ainda ecoava na minha cabeça quando demos um abraço coletivo e comemorávamos praticamente entre nós, porque nem tinha incentivo dos que estavam na bancada (se bobear, nem minha irmã, que também estava lá, torceu por mim).

Quando colocamos a medalha no peito, me senti como se tivesse ganho uma merda de Copa do Mundo, mas foi mais do que isso, ganhei a porra do campeonato de interclasses nos meus últimos momentos do colegial.

E meu único titulo esportivo.

Um comentário:

  1. Pode ser um titulo do colegio, mas nao deixa de ser um titulo! Essa sensaçao de vencer eh muito gostosa e energizante... lembro quando participei do festival de musica do meu colegio, nao venci nada, mas nao ha sensaçao igual aquela, cantar pro pessoal do colegio... foi sem palavras!

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