sexta-feira, 19 de julho de 2013

A derrocada de uma franquia interessante

Uma das coisas que mais prezo em jogos de videogame é o fato de eles conseguirem se reinventar de tempos em tempos. Por exemplo, uma franquia iniciada há décadas, quando o mercado de videogames ainda engatinhava, passa por diversas transformações na mecânica, se adaptando ao poder de fogo dos consoles atuais. Ou uma franquia nova, que consegue arrebatar seguidores devido a sua personalidade única, que difere de tudo o que foi lançado até o momento – embora isso fique mais difícil com o passar do tempo, acontece.

Uma das franquias recentes que conseguiu me conquistar foi Assassin’s Creed, lançada em 2007 para a geração atual de videogames e PC. A premissa inicial consistia em unir diversos elementos vistos em games lançados anteriormente, como um vasto mapa de exploração (popularizado com a série GTA), lutas com espadas e plataforma (Prince of Persia), porém adquiriu sua identidade própria ao dar ênfase no Le Parkour e também em uma história que interligava os templários do passado com os do presente. Com isso tudo, a Ubisoft iniciava uma franquia de sucesso em uma época na qual a nova geração de consoles ainda lutava para se estabelecer no mercado.

Dois anos depois a Ubisoft aperfeiçoou a mecânica e entregou uma história ainda mais complexa e com um herói bem mais carismático (Ezio Auditore de Firenze). A sequência conseguiu ser bem melhor e assim iniciaram uma trilogia voltada para o herói com os jogos II, Brotherhood e Revelations. Todos eles melhoraram a mecânica aos poucos e atingiram a plenitude no jogo final, entregando uma conclusão de respeito. O problema era o intervalo de apenas um ano entre um jogo e outro, pouco tempo, mas compreensível, afinal, se tratava de uma trilogia voltada para um personagem específico e aparentemente o time da Ubisoft já tinha em mente esses lançamentos.

Mal os jogadores finalizaram o Assassin’s Creed Revelations e a Ubisoft já anunciou o Assassin’s Creed III. Quando entrei no site IGN e vi o anúncio me senti desanimado com o rumo que a série tomou. Para mim, as instalações anuais de franquias funcionam quando é de esporte – gênero que está em constante mudança. Com jogos que tenham história mais elaborada, acredito que um intervalo de tempo maior entre um jogo e outro seja mais interessante e faz com que ninguém veja como algo maçante. Outra franquia que lança um jogo por ano é o Call of Duty, da Activision. Não consigo diferenciar um jogo do COD, mas o lançamento anual dele é quase tão certo quanto o natal ou páscoa.

E o Assassin’s Creed sempre prezou por abordar períodos históricos. Dentro dos jogos já vi interação com Leonardo Da Vinci, Nicolau Maquiavel, os Borgias e outros da era renascentista. Hoje parece que atira para todos os lados, já passaram pela revolução americana e a nova instalação anual (Assassin’s Creed IV) tratará sobre os vikings.

Vejo a insistência das produtoras em lançamentos anuais como um problema sério. O exemplo mais claro de lançamento anual em franquia que terminou em ostracismo foi a série Tony Hawk’s Pro Skater, iniciada no Playstation 1 e que causou um impacto profundo na época graças aos controles maravilhosos, uma trilha sonora empolgante e gráficos vibrantes. Muitos adolescentes queriam andar de skate em 2000 graças a essa série, especialmente depois da segunda instalação da série, que aperfeiçoou a mecânica e levou um jogo de skate a patamares nunca alcançados.

Os três primeiros jogos do Tony Hawk’s tinham sido lançados em anos consecutivos, mas vinham inovando, especialmente porque aquela época era de transição de consoles e gráficos muito mais poderosos estavam por vir. Infelizmente, após a transição a série se perdeu. Pararam no tempo e perderam espaço. Hoje, a série é lembrada com carinho apenas pelas primeiras instalações, mas não tem presente, afinal, a identidade foi perdida.

Essa perda de identidade é o caminho que a série Assassin’s Creed está seguindo.  Começou com uma premissa interessante, aperfeiçoou a mecânica, mas enxertou o mercado com sequências dispensáveis ou que poderiam esperar mais para aparecer.  É uma pena.

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