Pois vivenciamos exatamente ao contrário do que algumas comédias escolares propõem. Era uma tarefa extremamente difícil ter alguém no quadro de funcionários que fosse unanimidade, mas o Fabão (ou Fabião, dependia da sala) conseguiu esse feito. Sim, eu considero um feito, pois até hoje considero o colégio onde estudei um dos ambientes mais hostis que fui obrigado a conviver. Conquistar “gregos e troianos” naquele campo minado não era para qualquer um e uso como base a minha sala, dividida por natureza e com a maior concentração de “não me toques” por metro quadrado.
A razão para tal glória é porque Seo Fabão era um cara muito gente boa, daqueles que chegavam sorrateiramente na sua sala de aula e em meio à algazarra ele parava e conversava com o pessoal a respeito de diversos assuntos, seja uma mísera anedota ou mesmo alguma história de guerra que viveu. E tudo isso de maneira descontraída, sendo aquela figura adulta que funcionava com uma espécie de amigo e protetor dos adolescentes e não de alguém que poderia podar nosso desempenho – embora cedo ou tarde percebíamos que ninguém estava ali para nos prejudicar.
Durante as aulas ele ficava posicionado no corredor do ensino médio, ele não enchia a paciência dos alunos que resolviam ficar “uns minutos a mais” fora da sala de aula (tinham dias que as aulas estavam tão chatas que não restava alternativa a não ser ir ao banheiro e dormir uns 10 minutos por lá). Mostra que sabia dosar o bom senso com uma certa dose de camaradagem com o aluno.
Mas também não aliviava o aluno quando fosse preciso. Quando algum retardado ultrapassava os limites – o que não era difícil de acontecer – ele vinha e dava um justo puxão de orelhas nos responsáveis.
Na época eu não conseguia enxergar, mas hoje eu vejo o quão ingrata é a posição de inspetor de colégio. Manter os olhos vivos com alunos de todas as séries e ter que se manter sempre alerta para eventuais brigas entre alunos não é tarefa para alguém fraco. Se levarmos em consideração que aquele colégio era um terreno fértil para moleques folgados que vislumbravam encrenca com a mesma facilidade que falavam besteiras inerentes a idade, podemos elevar o Fabão a categoria de super-herói. Sim, embora existissem muitas tretas irrecuperáveis (o famoso “te pego lá fora”), ali dentro não havia muitas ocorrências.
Resolvi fazer esse texto porque não me lembrava de funcionários que conseguissem unanimidade entre todos os envolvidos (alunos e outros funcionários) no período acadêmico. Pois Seo Fabão conseguiu e mesmo tendo passado oito anos, ele sempre será lembrado com alegria entre todos que tiveram o prazer de conhecer o inspetor mais boa praça da história dos colégios.
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