quarta-feira, 10 de julho de 2013

While my guitar gently scratches

No momento em que escrevi esse texto descrevendo o retumbante fracasso enquanto guitarrista, não imaginava que futuramente eu voltasse a empunhar uma guitarra para novamente arranhar alguns sons.

O termo é exatamente “arranhar”, porque convenhamos, mesmo se eu praticar aos poucos, não chegarei a 10% de um Eddie Van Halen ou Eric Clapton – por falta de prática, feeling e talento. E arranhar consiste em acertar os ritmos e as notas das músicas apenas de maneira ok, não sendo exatamente uma reprodução fiel, porém entendível o suficiente para que as pessoas consigam cantar junto. Útil para rodas de violão, embora seja uma pena que eu abomine terminantemente esse tipo de coisa.

Entretanto, nessa nova tentativa de tocar violão percebi uma coisa que não tinha percebido nas tentativas anteriores: não tenho coordenação motora o suficiente para tocar e cantar ao mesmo tempo. Enquanto apenas mentalizava a letra da música sem nenhum tipo de vocal, conseguia dar um prosseguimento interessante na música, mas ao abrir a boca para tentar cantar eu já errava notas e a batida da música entrava em descompasso, me forçando a recomeçar.

Minha voz já não é lá essas coisas, mas ao tentar cantar qualquer coisa eu juro que me preocupo em manter uma tonalidade coerente com a música e ao me concentrar nessa parte acabo me perdendo na outra e algumas lacunas ficam nítidas ao trocar de notas.

A primeira música que tentei reproduzir nessa nova tentativa foi Everybody Hurts, criada e eternizada pelo REM. É uma música bem conhecida e particularmente me atinge diretamente no coração – costumo dizer que esse é o tipo de som que molda caráter e pode até mudar o andamento da vida de uma pessoa. Então resolvi afinar a guitarra e decidi usar ela como a primeira música para tentar, até pelo momento que estou vivendo atualmente, seria que ela era a mais apropriada.

Peguei as tablaturas em um site de cifras e me arrisquei a fazer o dedilhado cadenciado que é a alma da música.  Depois de alguns dias, obtive êxito em trocar as notas em meio aos dedilhados, mas na hora de cantar me embananei todo e simplesmente me perdi no andamento da música. Ou me concentrava para manter os dedilhados em ordem, ou cantava a música sem dedilhar ou tocando de maneira bem irreconhecível.

Assemelho esse tipo de falha a “correr e pensar” ao mesmo tempo, algo que muitos atacantes do futebol brasileiro não conseguem fazer. Mas quando tratamos de tocar violão e guitarra, depende muito mais de treino para que a troca de notas venha em uma fluência natural.

Uma vez que eu consiga dominar a arte de “tocar e cantar” ao mesmo tempo, talvez eu coloque algumas dessas mesmas ideias malucas que tenho em formato de música e não apenas em texto.

Não tenho a pretensão de tocar em público ou mesmo de montar uma banda, mas me senti como aquele adolescente empolgado de 16 anos que pegou a mesma guitarra Eagle pela primeira vez e arriscou sons barulhentos levando as pessoas próximas ao desespero. Desta vez optei pela cadência, pelos sons mais calmos e que me trouxessem paz, porque afinal, o intuito da música é justamente trazer paz de espírito, tanto para quem está ouvindo o som quanto para quem está tocando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário