segunda-feira, 8 de julho de 2013

O poder de um título e a preguiça

Todo texto necessita de um título e isso é ensinado para as crianças que estão aprendendo a desenvolver redações já na quinta série. O título necessita estar inserido no mesmo contexto do tema e texto e acima de tudo, precisa ser um chamariz para que as pessoas se interessem pelo conteúdo desenvolvido. Cabe ao emissor ter perspicácia suficiente para aliar esses três elementos e assim formar um conjunto coerente para o público final.

Teoricamente falando, a descrição do parágrafo acima seria o suficiente para que uma pessoa qualquer olhasse o título e lesse o texto antes de embasar qualquer opinião, mas na prática não é isso que vemos.

O título tem a função de sintetizar a ideia proposta e chamar atenção do leitor para o texto, mas em tempos de redes sociais, onde boa parte das pessoas sente a necessidade de opinar sobre qualquer coisa, isso não acontece. A pessoa lê o título, comenta, compartilha e em alguns casos até dá “lição de moral” (ou “cagação de regra”) baseado unicamente na manchete, sem entrar em detalhes que supostamente deveriam estar no texto. Ai que entramos no fator “preguiça”.

Essa preguiça de ler o texto inteiro e se basear apenas em manchetes abre um precedente perigosíssimo, porque a informação de hoje é divulgada em velocidade recorde e a falta de vontade geral de ler um texto inteiro dá margem para que conglomerados jornalísticos usem e abusem do artifício de formular uma manchete tendenciosa e que não seja condizente com a realidade do texto. Não é difícil distinguir as diferenças, basta entrar em dois portais de notícias diferentes para ver como as manchetes se diferem uma das outra, ainda que a condução do texto tenha suas semelhanças.

Mais preocupante do que ver uma opinião sendo baseada em um título é ver como a mesma (mal formulada) acaba sendo espalhada com uma velocidade impressionante. Vira um círculo vicioso e no fim você acaba obrigado a ler (ou ouvir) opiniões precipitadas a respeito de qualquer coisa. Nada escapa, sejam esportes, política, cultura ou mesmo literatura (irônico, eu diria).

Acredito que chegamos a esse ponto porque muitos sentem uma necessidade compulsiva de dar opinião sobre absolutamente tudo que está em voga. Não interessa o aprofundamento do assunto ou mesmo a veracidade da notícia, o importante é passar uma imagem de “antenado” com tudo o que se passa. Não sei se isso é necessidade de estar bem com a maioria ou pura empáfia, sei que infelizmente a preguiça de ler o texto até o final e não se basear exclusivamente no título levou as pessoas a formarem opiniões precipitadas e rasas a respeito dos assuntos em geral.

O título é apenas um pedaço da arquitetura de um texto. É a “propaganda” que chama a atenção para o leitor e jamais deve ser considerada a peça principal para que se forme uma opinião. Torço para que um dia este panorama mude e as pessoas parem de formular opiniões (e parem de cagar regras) baseadas apenas em um dos componentes do texto.

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