segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A mudança radical, o platonismo e o fim da inocência

Durante agosto teve um dia que parei pra ouvir músicas que faziam sucesso em 1996. Sim, eu tinha apenas 8 anos, mas minhas memórias daquele ano serão sempre guardadas com carinho, afinal, teve tanta coisa naquele ano que definitivamente não tenho como esquecer.

Naquele ano eu comecei a gostar de heavy metal através do Metallica, via o Palmeiras atropelando diversos adversários pelo caminho naquele esquadrão que ganhou o Paulista – e até hoje considero um enorme pecado que aquele time só tenha ganho isso -, na mesma toada em que eu sentia ódio pelo Grêmio, Felipão e Paulo Nunes (esses dois últimos, claro, mudei radicalmente a opinião nos anos seguintes). Também naquele ano aconteceu as olimpíadas de Atlanta, que até os jogos de Londres-2012, tinha sido a única vez que acompanhei com certo afinco.

Do lado pessoal, as mudanças vieram em cavalgadas. No final de 95, minha vó havia mudado de casa, indo para perto de onde minha mãe morava. Sendo assim, eu tive que recomeçar do zero na hora de conhecer os colegas da minha idade na região. Foi um início complicado, já que aparentemente os pais dos mesmos me consideravam uma peste e não queriam ver seus filhos andando comigo, mas depois que o tempo passou isso não chegou a ser um problema.

Por fim, naquele ano eu também mudei de colégio. Saí de uma escola onde o tradicionalismo religioso era bem extremo – a ponto de colocar na cabeça dos pais que Cavaleiros do Zodíaco era coisa do capeta – e fui para uma onde as pessoas eram bem diferentes. Como éramos crianças, ainda não tinha noção do quão mimadas e nojentas elas poderiam ser enquanto adolescentes, por isso que digo que aquele ano de 96 foi o melhor de todos naquele território (só saí de lá em 2005, então imaginem).

Sim, foi definitivamente o melhor, afinal, alguns amigos próximos de hoje vem dessa época e ali foi a primeira vez que senti algo a mais por uma garota.

Era uma menina da minha sala, ruiva e com sardas. Não apenas era da minha sala, voltávamos juntos pra casa de perua. Como eu sabia que gostava dela? Simples, para uma criança de 8 anos, eu não parava de pensar nela. Muitas vezes quando eu saia com meus pais, eu queria apenas fazer parte do trajeto que fazia ao voltar da escola só pra pensar nela. Era uma coisa inocente mesmo, afinal, era criança e tudo o que eu queria era ficar o mais perto dela possível.

Até as músicas funcionavam pra mim, eu torcia pra que tocassem músicas na rádio que me fizessem lembrar ela.

Definitivamente não sei se ela sabia que eu tinha uma queda – com 8 anos de idade isso não importa muito -, mas tenho certeza que ela sabia que eu agia que nem um bobo quando estava perto dela.
E eu segui com essa paixão platônica até o final de 99, quando terminamos a 5ª série. Logo após, ela mudou de colégio e meu primeiro mês de 2000 no colégio foi silencioso, um tanto desolador, devo dizer.

Analisando friamente, acho que o fato dela ter saído do colégio antes de entrarmos de vez na adolescência foi um fator extremamente positivo, pois eu vi como as pessoas que estavam naquela época cresceram mimadas e definitivamente eu iria achar ruim arruinar aquilo que hoje considero meu primeiro amor graças ao fim da inocência e as mudanças de atitude que teríamos.

Depois daquele final de 99, a única vez que me recordo de ter visto ela foi quando fomos fazer o ENEM de 2005. Quem me alertou da presença dela foi outra menina que estava nesse período e que foi fazer a prova no mesmo local (essa, sumiu do mapa em 2010). Como foi antes da prova, eu balancei. A ocasião já era ruim porque minha bisavó tinha morrido dias antes e eu tinha ido beber na noite anterior (aos 17, sim). Ai quando vi ela, por mais que eu estivesse em um mundo totalmente oposto, eu não evitei de pensar nela e fiquei torcendo pra que quando eu terminasse a prova, encontrasse ela no caminho da volta, o que infelizmente não aconteceu.

Hoje eu nem imagino como ela esteja, talvez namore, esteja casada com filhos ou possivelmente está solteira. Não sei mesmo que rumo ela tomou, mas se um dia eu encontrar ela por um golpe do destino, queria agradecer de verdade por ela ter sido importante na construção daquilo que eu não entendia, que é o amor, da maneira mais pura que eu tive.

Recentemente passei perto de onde ela morava e andando, um filme me passou pela cabeça, fazendo me sentir o mesmo garoto bobo de quando eu tinha 8 anos, torcendo pra que tocasse as músicas que me lembrasse dela na rádio. Depois andando pra casa, chorei bastante, assim como agora ao escrever esse texto, afinal, hoje percebo que foi ali que gostei de alguém pela primeira vez.

Eu nunca tinha abordado o tema “primeiro amor” com ninguém, hoje entendo a importância que isso tem na vida de uma pessoa, afinal, foi algo inocente mas fundamental pra que abrisse as portas pro que viria na sequência. Anos depois vieram outros, com alegria e decepções (mais decepções, diga-se de passagem), mas perto de completar 25 anos, devo dizer que esse período vai ficar pra sempre guardado no meu coração.

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