Diferente do cenário futebolístico atual onde os jogadores comemoram gols fazendo danças idiotas com o simples intuito de aparecer para as câmeras e virar manchetes para os noticiários esportivos, no cotidiano as danças acontecem de maneira bem espontânea, demonstrando uma alegria genuína de quem atingiu um pequeno objetivo. Um exemplo desse tema está em Friends (mais uma referência em menos de uma semana, desculpem), que na 5ª temporada abordava o romance secreto entre a Monica e Chandler. Ao descobrir pela boca da Rachel que o melhor que sexo que a Monica fez foi com ele, a alegria toma conta dele e ele sobe na mesinha fazendo uma dança bem grotesca.
Comigo, o caso mais memorável de uma pequena vitória seguida de dança aconteceu em 2009, no início de abril e faltando uma semana para o show do Kiss.
Em 2009, finalmente tinha chegado ao último ano da faculdade e o horizonte nunca me pareceu tão nebuloso, especialmente porque o TCC já era uma dura realidade. Junto com o trabalho de conclusão, teríamos que encarar o primeiro semestre com provas e trabalhos paralelos. O cenário de stress estava armado e teríamos raros momentos de alívio durante aquele ano (e os posts de 2009 desse blog estão ai pra provar isso).
Porém, antes das aulas começarem, comprei meu ingresso para o show do Kiss, uma das minhas bandas prediletas desde pequeno, cujo anseio de ir ao show existia desde os 11 anos de idade. Parecia perfeito, afinal, veria o Iron Maiden na metade de março (em um domingo) e o Kiss veria na sequência em questão de semanas, ainda que o show estivesse marcado para uma terça. Como o show estava agendado para a semana de feriado da páscoa, não esperava que ninguém marcasse nada para aquela data, mas as aulas começaram e a minha tese de que aquela semana seria tranquila caiu como castelo de cartas.
Já na primeira semana de aula, a então professora de planejamento passou o cronograma do semestre. Minha frustração ficou evidente quando na data 07/04 tinha uma prova. O que fazer?
Enquanto eu buscava um tema convincente para conseguir adiar ou adiantar a prova, resolvi que não faltaria nenhuma terça. Tudo bem que eu já era um aluno presente, mas eu estava disposto a atingir novos níveis ali, tudo para que eu conseguisse barganhar essa mudança de datas pra prova. Assim que ela passou as datas, eu disse com muita antecedência que não conseguiria estar presente naquela data, mas não tinha justificativas plausíveis para tal.
As semanas foram se passando e com isso eu tinha que aventar um “plano B”, que era talvez o mais arriscado de todos: faltar sem justificativa nenhuma e agendar uma prova substitutiva no fim do semestre para evitar uma DP. Considerando que eu era aluno bolsista e estava a pouco tempo de concluir o curso, ficar retido teria consequências catastróficas e eu não queria arruinar uma trajetória que vinha dando certo até então por causa de um show que estava querendo ver desde moleque.
Uma semana antes do show, entrei em desespero e tentei o hail mary:
- Então, sobre o que vai ser a prova?
- Sobre o que as técnicas que vocês vem aplicando no trabalho de conclusão.
- Isso não me parece um problema...mas não pode adiar?
- Infelizmente não.
- ...
- Mas que compromisso é esse tão importante que você não pode adiar?
Sem nenhum compromisso marcado, nenhuma convenção fora da cidade e praticamente sem alternativa nenhuma, resolvi apostar as fichas em dizer o que iria acontecer de fato.
- Então...semana que vem tem o show do Kiss, uma banda que escuto desde pequeno. Comprei o ingresso antes das aulas começarem e antes de saber que teria prova no dia. – Eu duvidava muito que ela mudaria algo só porque um bando de mascarados iria fazer show no dia da prova.
- É algo que eu quero muito, por isso to perguntando se posso adiar ou adiantar a prova. Não tenho nenhum problema em fazer antes, até a substitutiva não é problema.
- Bom...você sempre aparece nas aulas e participa. Quinta feira eu vou dar aula para outra turma, você pode comparecer?
Nessa hora fiquei muito feliz, afinal, ela adiantou a prova em alguns dias. Iria fazer antes e ponto final.
- Claro que sim, quinta to lá!
Questão resolvida: faria a prova e iria ao show. Naquele exato instante, saí da sala e comecei a dançar pelo corredor da faculdade até chegar ao elevador, sem música nenhuma e com várias pessoas ao redor olhando, mas sem me importar muito. Era um movimento completamente descoordenado, embaraçoso e que só fui me tocar da vergonha que passei nas horas seguintes.
Mas essa é a alegria das pequenas vitórias: você age como se ninguém esteja olhando. Em uma época onde meio mundo é conservador chato o suficiente para robotizar o próprio passo, fazer esse tipo de coisa soa como loucura ou como algo grotesco, mas é verdadeiro e autêntico. Admiro demais as pessoas que celebram os pequenos êxitos, especialmente quando fazem aquele “yes” seguido de um requebrado bizarro.
Essa história é mto boa!
ResponderExcluirQue professora maneira.. olha, acho que ela gostava também do Kiss.. ou, se quem sabe já passou por situação similar, rs
Olha, essa era linha dura, eu duvidava muito que eu conseguisse algo, mas meu histórico com ela era tranquilo, hahaha.
ResponderExcluirMas caiu do céu, imagina se não tivesse ido? Hoje eu taria me sentindo péssimo. :P