quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O clima bélico de um domingo

A situação do Palmeiras está desesperadora. Não costumo mais escrever sobre o Palmeiras aqui no blog, mas ia colocar uma série aqui no blog relatando os jogos épicos da Copa do Brasil que resultaram no título, o único desde que comecei a escrever no blog e uma rara alegria em mais de uma década de decepções. Os textos já estão prontos, com mais de 7 páginas de word, mas a fase que estamos passando é tétrica e por isso, abortei a idéia. Em campo, estamos na penúltima colocação do campeonato brasileiro com 8 pontos de distância do limite da zona da degola. Fora dele, assistimos com impotência os dirigentes pisando na história do Palmeiras, com doses cavalares de incompetência e covardia.

Sabendo de todo o panorama catastrófico que ronda o Palmeiras, restou a mim e aos outros torcedores, a missão de apoiar o time pra que ele saia dessa situação. Mas quem disse que é fácil? Enfim, é nessa hora, até mais do que nas glórias, é que devemos abraçar o time e é por isso que o Palmeiras é o gigante que é.

Por mais que eu vá aos jogos há mais de 14 anos, poucas vezes me senti cercado por um clima tão forte de desesperança. Nem 2002 era assim. Na época, por mais que a queda fosse inevitável, confiávamos cegamente de que aquilo não aconteceria. Nem aquele período obscuro entre 2004 à 2006 era assim e olha que íamos ao antigo Palestra com públicos risíveis, que as vezes não chegavam nem a 3000 testemunhas.

Quando comprei o ingresso pro dérbi, tinha acabado de ouvir a notícia de que o Felipão, o maior treinador da história do Palmeiras, tinha sido demitido. Os dias que precederam o jogo, sem ele, foram de desolação total. E sabia que tinha que manter a cabeça erguida pro dérbi, porque treinadores passam e o Palmeiras fica, só que perder a presença de um ídolo é dolorido demais.

Eu sentia que iriamos apoiar massivamente, tanto que só consegui ingressos de cadeira – uma das raríssimas vezes que fui de numerada, uma vez que sou daqueles que não sai da arquibancada por nada. E rumamos ao Estádio Municipal.

Se a torcida não fosse em clima de guerra, estaríamos perdidos. Entrei no clima como muitos outros palestrinos, muitos amigos e muitos que sequer conheço, mas com aquele mesmo sangue nos olhos que faria a diferença. Em campo, esperávamos que os jogadores estivessem com a mesma atitude.

Alguns jogadores de fato estavam em clima de guerra, outros se borraram de medo e junto com a arbitragem terrível de mais um juiz ladrão, o molotov estava pronto para uma destruição total ali no Pacaembu. Se somar as vitórias dos adversários diretos, a tragédia estava completa.

E o pior é que aquele jogo começou bem, se os jogadores soubessem dosar a pilha deles com frieza e não com desespero, talvez pudéssemos evitar a tragédia. Mas não deu. Os rivais saíram na frente depois de uma falta que não aplicaram no nosso centroavante. Depois disso tivemos uma expulsão sem motivo do camisa 11, 2 penaltis não marcados e a confusão imperava.

Olhei para os lados várias vezes durante o jogo, aonde estávamos, não tinha uma alma que não fosse a personificação da tristeza. A destruição de algumas coisas foi o retrato fiel do nosso misto de revolta e desolação. E ali concordei com tudo isso, é um desacato que sejamos sempre prejudicados tanto dentro quanto fora de campo, matando nossa paixão dia após dia.

Não merecíamos isso.

Os culpados tem nome e dirigem o Palmeiras, foram eles que nos colocaram nessa situação horrível e quase irreversível. Todo castigo ainda é pouco pra quem brinca com a paixão de 17 milhões de pessoas ao redor do planeta, de um time que tem história de bravura e que resistiu a diversas batalhas ao longo de 98 anos.

Quando sai do estádio, voltei cabisbaixo, não consegui dormir de noite e tentei me resignar com essa que talvez seja a nossa segunda queda, uma humilhação que definitivamente os torcedores não merecem. Claro, torcedores embalistas do rival vieram tirar sua casca e falar o que não fazem ideia. Pra quem aparece só na hora de mandar uma piada idiota, uma imagem sem graça ou um comentário sem sentido, o meu “vai tomar no cu” se torna uma resposta padrão. Sim, porque já vi imbecil que já disse pra mim coisas como “não ligo pra futebol” e “é perda de tempo”, se aproveitando para aparecer nessas horas. Questão de caráter, eu não discuto.

Agora temos um novo treinador, mas enquanto formos reféns de jogadores vagabundos e dirigentes perdidos, dificilmente sairemos dessa situação. Mais uma vez o Palmeiras precisa da gente e claro, estarei presente pra isso, afinal, faço isso desde criança e com frequência, tanto presente de corpo quanto de espírito.

E que o clima de terra arrasada que vimos no domingo não se repita, somos gigantes demais para passar por esse tipo de situação.

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